A Justiça do Paraguai determinou neste sábado a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña. A decisão ocorreu logo após o político perder o cargo em um processo de impeachment conduzido pelo Senado do país. As investigações contra Peña envolvem acusações como lesão de confiança, administração em benefício próprio, abuso de confiança e tráfico de influência, no âmbito das apurações do caso Ueno Bank.

A medida restritiva de liberdade atendeu a uma solicitação apresentada pelo Ministério Público paraguaio. De acordo com o juiz Humberto Otazú, responsável pelo andamento do caso, a detenção preventiva tem como principal objetivo assegurar que o ex-mandatário permaneça no país durante o desenvolvimento do processo judicial. Durante a audiência realizada na sede da Procuradoria-Geral em Assunção, Peña optou por exercer o direito de ficar em silêncio.

O magistrado informou ainda que a Justiça analisa um pedido adicional do Ministério Público para o bloqueio dos bens do ex-presidente. Devido ao seu acesso prévio a dados confidenciais sobre o sistema financeiro e o crime organizado durante o seu mandato, ficou estabelecido que Peña cumprirá a detenção no Regimento de Escolta Presidencial. Além disso, o juiz mencionou que alguns pontos do requerimento ministerial continuam sob avaliação.

A crise institucional no Paraguai ganhou força após a quebra do banco digital ueno, situação que deixou milhões de clientes impossibilitados de acessar suas contas e gerou protestos na capital Assunção. Relatos apontam que o Banco Central interveio na instituição financeira ao detectar insuficiência de capital e irregularidades operacionais. Peña manteve vínculos empresariais com a holding controladora do banco até março de 2025 e é apontado como um dos sócios do grupo.

Diante da pressão política, Santiago Peña havia anunciado sua renúncia na quinta-feira anterior, alegando o desejo de preservar a estabilidade institucional, embora a decisão não tenha evitado a continuidade do julgamento político e a perda do mandato por unanimidade. Com a efetivação da saída de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do Executivo paraguaio para cumprir o restante do mandato presidencial, que se encerra em agosto de 2028.

Origem da informação: G1 — veja a fonte original.