O presidente de Israel, Isaac Herzog, nomeou neste sábado Gadi Eisenkot, principal opositor do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, para liderar a articulação na tentativa de estabelecer um novo governo no país. A decisão ocorre na sequência de um processo eleitoral sem vencedores claros que impediu que os principais líderes políticos conseguissem sustentação imediata para assumir o controle do poder executivo israelense.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal Times of Israel, a formalização do ato está prevista para o próximo domingo. A partir da oficialização, o ex-chefe do Estado-Maior e líder da legenda Yashar disporá de um prazo inicial de 28 dias para consolidar a coalizão governamental, podendo receber uma extensão adicional de até duas semanas caso o presidente considere necessário.
O cenário de reviravolta política se desenhou após as principais siglas árabes-israelenses declararem apoio a Eisenkot. Com a adesão desses grupos, que alcançaram um recorde de 19 cadeiras no parlamento em meio a uma alta participação dos eleitores que compõem cerca de 21% da demografia nacional, o bloco oposicionista atingiu o patamar de 67 assentos. Para assegurar a governabilidade no Knesset, composto por 120 deputados, são exigidos no mínimo 61 votos favoráveis.
Apesar da aliança numérica que garantiu a maioria ao ex-militar, o respaldo dos partidos árabes não implica necessariamente na integração formal deles ao ministério, uma vez que o próprio Eisenkot já descartou a inclusão dessas legendas na futura administração. O pleito de 27 de outubro havia deixado o Likud, partido de Netanyahu, como a maior bancada isolada com 27 vagas, enquanto a coalizão direitista e religiosa alinhada ao atual premiê totalizou 53 assentos, ficando abaixo da maioria exigida.
A trajetória de Eisenkot na política é recente, tendo ingressado no setor público em 2022 após uma carreira militar de destaque que incluiu o comando de operações na guerra de 2006 contra o Hezbollah. Filho de imigrantes marroquinos de 66 anos, ele poderá se tornar o primeiro chefe de governo israelense pertencente à comunidade mizrahi. Durante sua atuação recente, Eisenkot integrou brevemente o gabinete de guerra após os eventos de 7 de outubro de 2023 antes de retornar à oposição, período em que adotou forte tom crítico contra a gestão de Netanyahu e contra aliados de extrema direita do atual premiê.
Origem da informação: G1 — veja a fonte original.


