O presidente de Israel, Isaac Herzog, determinou que o ex-comandante militar Gadi Eisenkot receba a primeira oportunidade para tentar formar um novo governo no país. A decisão ocorre após eleições inconclusivas que deixaram o parlamento israelense, o Knesset, sem uma maioria clara para os blocos liderados por Eisenkot ou pelo atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Segundo o gabinete presidencial, após consultas com delegações partidárias, Eisenkot obteve 67 recomendações para o cargo, enquanto Netanyahu registrou 46.
Eisenkot terá agora um prazo de 28 dias para tentar estruturar uma nova coalizão governamental, período que pode ser prorrogado por mais 14 dias. A ascensão do ex-chefe do Exército ao centro da política israelense ganhou força após sua entrada formal na vida pública em 2022 e a posterior criação de seu partido centrista, o Yashar. O desafio ao longo mandato de Netanyahu foi impulsionado tanto por críticas à gestão de segurança e a escândalos de corrupção quanto por uma tragédia pessoal marcante, após a morte de seu filho caçula em combate na Faixa de Gaza em dezembro de 2023.
Durante a trajetória recente, Eisenkot integrou o gabinete de guerra de Netanyahu após os ataques de 7 de outubro, mas renunciou em junho de 2024. Na ocasião, ele acusou o primeiro-ministro de não agir com a rapidez necessária para garantir a libertação dos reféns sequestrados pelo Hamas. Por sua vez, Netanyahu rejeitou as críticas e afirmou que as propostas anteriores de Eisenkot não teriam enfraquecido adequadamente o grupo palestino. Analistas apontam que, apesar de se apresentar como uma alternativa séria e sem ligações com as elites tradicionais, o general reformado mantém uma postura firme em relação à defesa nacional e à condução dos conflitos na região.
As propostas de campanha de Eisenkot incluem o lançamento de uma investigação rigorosa sobre os eventos de 7 de outubro, a aprovação de uma lei de serviço militar universal para todos os cidadãos israelenses — abrangendo comunidades ultraortodoxas e árabes — e medidas para estancar a emigração de profissionais qualificados. No entanto, o partido Yashar não deve alcançar a maioria absoluta no Knesset, que possui 120 cadeiras, exigindo a formação de alianças e acordos de coalizão para viabilizar a governabilidade em meio ao cenário político fragmentado de Israel.
Origem da informação: BBC News Brasil — veja a fonte original.


