Após um processo eleitoral que resultou em um impasse parlamentar, o presidente de Israel, Isaac Herzog, nomeou Gadi Eisenkot para a missão de formar uma nova coalizão governamental. A decisão ocorre após semanas de consultas com as diversas legendas que compõem o Knesset, o parlamento israelense. Segundo informações oficiais, Eisenkot obteve 67 recomendações para o cargo de primeiro-ministro, superando as 46 indicações do atual mandatário, Benjamin Netanyahu.
Eisenkot, que é ex-chefe do Exército israelense e recém-chegado à política partidária, terá agora um prazo inicial de 28 dias para consolidar uma maioria, com possibilidade de extensão de 14 dias adicionais. Sua ascensão como principal opositor de Netanyahu é marcada por uma trajetória pessoal traumática, intensificada pela morte de seu filho em combate na Faixa de Gaza, em dezembro de 2023. O episódio, somado a críticas contundentes à gestão da segurança nacional, impulsionou sua plataforma política centrada na responsabilidade governamental.
Durante sua passagem pelo gabinete de guerra, entre os ataques de 7 de outubro de 2023 e sua renúncia em junho de 2024, Eisenkot entrou em rota de colisão direta com Netanyahu. O agora indicado ao cargo de primeiro-ministro acusou o atual governo de ineficiência na condução das negociações para a libertação de reféns mantidos pelo Hamas. Por outro lado, Netanyahu rejeita as críticas, alegando que as estratégias de seu rival poderiam ter enfraquecido a resposta militar do país contra as ameaças regionais.
Em seu plano de governo, Eisenkot promete uma investigação rigorosa sobre as falhas que permitiram os atentados de outubro de 2023 e propõe a implementação de uma lei de serviço militar ou civil universal, abrangendo comunidades que historicamente possuíam isenções. Quanto à política externa e de segurança, o ex-general mantém posições firmes, rejeitando a solução de dois Estados e focando na neutralização do grupo Hamas, embora pretenda reformular a coordenação com a Autoridade Palestina na gestão dos territórios da Cisjordânia.
A escolha de Herzog reflete a complexa aritmética política de Israel, onde o sistema eleitoral frequentemente exige negociações entre diferentes espectros ideológicos para alcançar a marca de 61 cadeiras necessárias para a governabilidade. Com origens modestas e o apoio de um eleitorado que vê nele um contraponto à imagem de elite de Netanyahu, Eisenkot enfrenta agora o desafio de unir diferentes forças partidárias para evitar novas eleições e garantir a estabilidade do Estado israelense.
Origem da informação: G1 — veja a fonte original.


