O Senado do Paraguai iniciou nesta quinta-feira, 5, o julgamento político do presidente Santiago Peña. A medida ocorre em meio a acusações de suposto conflito de interesses e irregularidades decorrentes do escândalo envolvendo o Banco Ueno, ligado à gestão do atual mandatário, crise esta que resultou no bloqueio das economias de milhões de cidadãos e gerou intensos protestos nas ruas do país.
Em paralelo à movimentação no Congresso, a Procuradoria-Geral determinou a abertura de três investigações criminais voltadas a apurar as ramificações do caso bancário, cujas denúncias alcançam o próprio presidente e outros integrantes da administração pública. Para que a destituição formal de Peña seja aprovada na câmara alta, o regimento exige o voto favorável de dois terços dos parlamentares.
Caso seja declarado culpado ao final do processo, Santiago Peña perderá o direito à elegibilidade para o cargo de senador vitalício — prerrogativa garantida aos ex-presidentes pela Constituição paraguaia — bem como a imunidade parlamentar. A perda dessas proteções abriria caminho para o avanço de um processo penal, caso o procurador Emiliano Rolón Fernández decida formalizar acusações contra ele.
A crise financeira ganhou contornos mais drásticos com a intervenção do Banco Central no Banco Ueno, motivada por graves problemas de solvência. Como desdobramento dessa ação, oito executivos e membros da alta cúpula da instituição financeira foram detidos pelas autoridades. Entre os presos estão o presidente do banco, Juan Manuel Gustale, e Federico Miguel Vázquez, que atuava como CEO e era sócio comercial de Peña até recentemente.
Até o ano passado, o chefe do Executivo mantinha participação em uma empresa associada ao Banco Ueno. Questionado sobre os desdobramentos, Peña evitou assumir culpa pela crise sistêmica e declarou publicamente que nunca teve a intenção de trair a confiança depositada nele pela população. O presidente do Senado, Basilio Núñez, confirmou que o mandatário comparecerá ao plenário nesta sexta-feira para apresentar sua defesa formal perante os parlamentares.
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