Uma série incomum de ameaças de bomba atingiu o setor de aviação europeu na última quinta-feira, resultando na interrupção de quase 30 voos. O cenário, que se soma a incidentes semelhantes ocorridos na terça-feira envolvendo pelo menos sete aeronaves e um navio de cruzeiro, forçou diversas companhias aéreas a realizar pousos de emergência, enquanto caças militares foram acionados para interceptar ou escoltar aviões em diversos países.
As autoridades ainda não identificaram os responsáveis pelas mensagens, e não houve reivindicação de autoria confirmada. Um e-mail enviado a aeroportos na Itália, incluindo Fiumicino e Malpensa, continha a assinatura "Male State" e ameaçava a detonação de dispositivos em voos provenientes de Helsinque e Dublin. Vladislav Pozdnyakov, fundador do grupo russo que leva o mesmo nome, declarou que a organização está extinta e negou qualquer envolvimento, sugerindo que o uso do nome é uma tentativa de terceiros para orquestrar provocações.
A resposta militar foi intensa. Na França, caças foram enviados para interceptar uma aeronave da Aer Lingus que seguia de Dublin para Roma. Na Bulgária, a Força Aérea escoltou três aeronaves, enquanto voos operados por companhias como Ryanair, KLM, LOT, Iberia e Air Europa enfrentaram desvios, inspeções rigorosas e o desembarque de passageiros em pistas remotas. Em Bucareste, passageiros relataram ter sido cercados por equipes antiterroristas e veículos de emergência após a aterrissagem.
Especialistas em segurança e autoridades analisam o episódio como uma possível forma de "ataque híbrido". Embora difícil de atribuir diretamente a um Estado, o método coincide com o padrão de sabotagens baratas e facilmente negáveis, frequentemente associadas por autoridades europeias à Rússia desde a invasão da Ucrânia em 2022. Tanto Moscou quanto o Irã, também citado em conspirações anteriores, negam as acusações.
Para além da aviação, o período registra ataques cibernéticos a sistemas de refrigeração de supermercados e bancos de sangue em diversos países da Europa. Analistas de cibersegurança, como Eliran Almog, da Cyviation, advertem que essas ações podem ter como objetivo não apenas o impacto econômico, mas também o mapeamento das reações das autoridades diante de crises, visando minar a confiança pública em serviços essenciais.
Origem da informação: InfoMoney — veja a fonte original.



