Em sua primeira declaração pública desde que deixou o território brasileiro, o senador Flávio Bolsonaro afirmou ao jornal The New York Times que a decisão de partir ocorreu logo após ser intimado a entregar seus passaportes. O parlamentar, que enfrenta investigações relacionadas a corrupção e lavagem de dinheiro, alegou que sua permanência no país resultaria em uma prisão praticamente certa, classificando o Poder Judiciário brasileiro como politicamente motivado.
A fuga, descrita pelo senador como uma jornada realizada por conta própria e sem o auxílio de governos ou terceiros, envolveu um trajeto por diversos países antes de sua chegada a Miami. Questionado sobre os detalhes logísticos da travessia, Bolsonaro foi enigmático: "Como cheguei aqui, levarei isso para o túmulo comigo". Autoridades americanas, no entanto, indicaram que a entrada do político nos Estados Unidos contou com autorização direta do presidente Donald Trump.
Mesmo após a derrota na última eleição presidencial, Flávio Bolsonaro manteve um discurso de contestação, reiterando alegações de fraude e críticas ao sistema de votação, apesar de reconhecer que suas chances de reverter o resultado nas instâncias legais são mínimas. O senador negou que seu objetivo seja abandonar a política e confirmou que planeja apoiar aliados no Brasil, defendendo pautas como a redução da maioridade penal e a busca por anistia para seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
O senador e sua família obtiveram permissão para permanecer nos Estados Unidos por pelo menos um ano sob um status migratório de natureza humanitária. Enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro permanece em prisão domiciliar no Brasil, enfrentando uma condenação de 27 anos, seu outro filho, Eduardo, também se encontra em solo americano. Flávio Bolsonaro ressaltou que, apesar da incerteza sobre onde se estabelecerá permanentemente, não descarta a possibilidade de retornar ao cenário eleitoral brasileiro caso novas disputas ocorram no futuro.
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