Um grupo de 35 parlamentares da oposição no Paraguai apresentou formalmente, na quarta-feira (4), um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña. A medida surge em resposta à crise desencadeada pela liquidação do banco digital Ueno, cujas operações foram encerradas na terça-feira (3) por decisão do Banco Central. A intervenção na instituição financeira deixou milhares de clientes impossibilitados de acessar seus saldos e recursos.
O banco, pertencente ao Grupo Vázquez, enfrentava problemas graves de liquidez. Conforme apurado pela autoridade monetária, a insuficiência de fundos para cobrir obrigações estava ligada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à própria instituição. O Ueno detinha cerca de 3 milhões de contas e acumulava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos, incluindo montantes significativos provenientes do Instituto de Previdência Social do país.
As acusações da oposição contra Peña incluem conflito de interesses, manipulação de normas regulatórias e possíveis irregularidades no manejo de recursos previdenciários. Durante a sessão legislativa, a deputada Rocío Vallejo criticou severamente o governo, atribuindo ao presidente a responsabilidade pela criação do cenário que culminou no bloqueio dos ativos dos correntistas. Para que o processo de impeachment seja aberto, é necessário o apoio de dois terços dos deputados, sendo incerto o posicionamento da bancada governista.
Em meio à instabilidade, a Procuradoria do Paraguai solicitou o bloqueio dos bens de 27 pessoas vinculadas ao banco e emitiu mandados de prisão. Oito diretores da instituição, incluindo o presidente-executivo Miguel Vázquez, entregaram-se às autoridades. O impacto do caso também resultou na renúncia de Carlos Carvallo da presidência da entidade responsável pela fiscalização bancária.
O presidente Santiago Peña, que foi acionista do grupo controlador do banco até março do ano passado, não se manifestou diretamente sobre o pedido de impeachment. Contudo, defendeu publicamente que os responsáveis pelas falhas respondam perante a Justiça. Peña promulgou uma nova lei visando agilizar o ressarcimento dos clientes afetados e instou os setores políticos a priorizarem a segurança dos poupadores. Enquanto isso, a Associação de Bancos do Paraguai assegurou que o sistema financeiro nacional mantém suas operações, apesar dos relatos isolados de instabilidade em outros aplicativos bancários gerados pela migração massiva de clientes.
Origem da informação: G1 — veja a fonte original.


