A Argentina confirmou na madrugada de quarta-feira (28/10) que o senador Flávio Bolsonaro entrou no país vizinho e seguiu viagem com destino ao Equador, acompanhado de sua esposa e de suas duas filhas. O episódio ocorre em meio a investigações criminais no Brasil sobre o suposto envolvimento do parlamentar em um esquema de lavagem de dinheiro, motivo pelo qual o Supremo Tribunal Federal havia determinado a proibição de sua saída do território nacional e a entrega de seus passaportes.
Segundo informações divulgadas pela Direção Nacional de Migrações da Argentina, a família cruzou a fronteira pelo posto da Ponte Internacional Tancredo Neves às 22h50, utilizando documentação de viagem válida e sem registros de impedimentos legais no país naquele momento. Pouco tempo depois, o grupo embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A. com destino a Guayaquil. O jornal Clarín apontou que o senador também possui passaporte italiano e que brasileiros não necessitam de passaporte para ingressar em território argentino, bastando a apresentação de um documento de identidade.
A imprensa argentina relatou movimentações incomuns de segurança no Aeroporto de Puerto Iguazú, na província de Misiones, incluindo vans escoltadas por forças policiais que teriam acessado diretamente a pista. Relatos da imprensa também apontaram a presença de assessores do governo de Javier Milei na província durante a decolagem, levantando suspeitas sobre o episódio, embora a Casa Rosada tenha negado enfaticamente qualquer envolvimento na saída do senador brasileiro.
A fuga de Flávio Bolsonaro pelo território argentino tem potencial para agravar ainda mais as relações diplomáticas entre Brasil e Argentina. Os laços entre os dois governos já enfrentavam forte desgaste devido a declarações do presidente Javier Milei durante a campanha eleitoral brasileira, quando o líder argentino criticou duramente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como resposta aos episódios anteriores, o governo brasileiro optou por dispensar o embaixador argentino em Brasília e absteve-se de enviar um representante diplomático para Buenos Aires.
Origem da informação: DW Brasil — veja a fonte original.


