O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e outros políticos removam publicações enganosas que associam o consumo de drogas a uma manifestação de apoio ao presidente Lula (PT). A decisão foi proferida pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, atendendo parcialmente a uma representação apresentada pela campanha de Lula.
A controvérsia gira em torno de uma gravação que mostra uma jovem de cabelos vermelhos inalando um pó branco que se assemelha a cocaína. O conteúdo foi divulgado nas redes sociais como se tivesse sido registrado durante um ato político realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, no dia 11 de outubro. No entanto, documentos apresentados à Justiça Eleitoral e apurações de agências de checagem indicam que o vídeo original foi feito no Chile em 10 de outubro e já circulava na internet antes da manifestação paulista.
Em sua decisão liminar assinada em 12 de outubro, o ministro Bellizze classificou a conduta como grave manipulação por descontextualização, destacando que a associação de uma imagem preexistente a um evento posterior busca dar aparência de veracidade a uma afirmação sobre o fato. O magistrado estabeleceu o prazo de 24 horas para que o conteúdo seja apagado. Além de Flávio Bolsonaro, a determinação alcança postagens feitas por Carlos Bolsonaro (PL), pelo deputado Rony Gabriel (Podemos-RS), por Pablo Marçal (PRTB) e pela empresa Meta, que deve remover um material similar do perfil Sociedade em Fatos.
O magistrado ressaltou que a medida restringe-se exclusivamente aos posts que vinculam o vídeo da jovem ao protesto de 11 de outubro, frisando que a crítica política aos participantes do evento permanece livre. Contudo, a inserção do registro em uma montagem é apontada como um fator com potencial de induzir o público a erro ao interpretá-lo como fato ocorrido no evento.
Em paralelo, a Justiça Eleitoral também analisou outro embate digital envolvendo as campanhas. Decisões divergentes no TSE trataram do canal de WhatsApp "Exército de Lula", gerido pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A defesa de Flávio Bolsonaro havia requerido a suspensão do canal sob alegação de disseminação de informações falsas, resultando em uma derrubada temporária revertida no mesmo dia por outra instância do tribunal. Uma análise técnica da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação não identificou as notícias falsas denunciadas no período analisado, embora tenha apontado atuação coordenada e uso de linguagem polarizadora.
Origem da informação: BBC News Brasil — veja a fonte original.
