O Senado do Paraguai aprovou por unanimidade, nesta sexta-feira (6 de novembro de 2026), o processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, filiado ao Partido Colorado. A votação contou com a presença de 44 dos 45 congressistas, sendo que todos registraram voto favorável à medida. A decisão ocorreu um dia após a Câmara dos Deputados também aprovar a destituição, mesmo diante de um pedido de renúncia apresentado pelo próprio chefe do Executivo. Com o afastamento definitivo, Peña perde o foro privilegiado vitalício.
A sessão extraordinária do Congresso foi convocada em decorrência da crise bancária instalada no país após a falência do Ueno Bank, apontado como o maior banco digital paraguaio. A instituição financeira atendia cerca de 3 milhões de clientes, montante que representa quase a metade da população total do Paraguai, estimada em 7 milhões de habitantes. Santiago Peña havia assumido o governo em 2023 e manteve-se como acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025.
O libelo acusatório protocolado pelos legisladores atribuiu a Peña conflitos de interesse relacionados à sua participação na Ueno Holding. Entre as acusações, o documento destacou a nomeação de Carlos Carvallo, ex-dirigente da Financeira Ueno, para o comando do Banco Central do Paraguai, ato considerado incompatível com a proteção do interesse público. Os parlamentares também apontaram que o governo permitiu a concentração de centenas de bilhões de guaranis do Instituto de Previdência Social no banco acima dos limites legais, além de apontar mudanças promovidas na legislação sobre conflitos de interesse.
Diante da pressão política e do avanço das investigações, Peña tentou renunciar ao cargo, mas o Congresso recusou o pedido e preferiu prosseguir com o impeachment para assegurar a perda do foro privilegiado. Com a saída de Peña, a chefia do Executivo nacional deve ser assumida pelo vice-presidente Pedro Alliana, também integrante do Partido Colorado. Alliana também enfrentava um processo de destituição, mas a acusação contra ele acabou rejeitada pela Câmara dos Deputados.
Com esta decisão, Santiago Peña passa a ser o segundo presidente eleito democraticamente no Paraguai a ser destituído pelo Poder Legislativo desde o encerramento da ditadura do general Alfredo Stroessner, período que compreendeu os anos de 1954 a 1989. O único precedente na história pós-redemocratização do país havia sido o de Fernando Lugo, governante de centro-esquerda que comandou o Executivo entre 2008 e 2012 e foi afastado por suposto mau desempenho após os confrontos de Curuguaty.
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