O senador Flávio Bolsonaro declarou em entrevista divulgada nesta sexta-feira (6) que não possui provas para sustentar acusações de fraude nas eleições presidenciais de 2026. A disputa foi vencida pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conquistou a reeleição com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do candidato do PL, consolidando uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.

Questionado pelo jornalista Glenn Greenwald sobre a falta de evidências materiais de manipulação, o congressista admitiu abertamente a ausência de elementos comprobatórios. Foi por esse motivo, segundo o parlamentar, que sua defesa decidiu não contestar o resultado oficial do pleito perante a Justiça brasileira.

Apesar da confissão sobre a falta de provas, o senador manteve suas reservas em relação ao processo eleitoral. Ele voltou a criticar a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a prorrogação do horário de votação em 25 de outubro. Embora tenha reconhecido que pouco mais de 34 mil eleitores votaram após as 17h, o parlamentar alegou que sua desconfiança recai sobre os procedimentos adotados no Tribunal Superior Eleitoral durante aquele intervalo.

Desde o encerramento da apuração, a postura do senador gerou divergências internas em seu partido. Logo após deixar o país no final de outubro, o político divulgou um manifesto que inicialmente o tratava como presidente eleito, termo alterado posteriormente para líder do Brasil. A publicação atraiu ressalvas públicas de aliados estratégicos, incluindo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o coordenador de campanha Rogério Marinho, que reforçaram a inexistência de indícios de fraude.

Enquanto reside nos Estados Unidos desde 28 de outubro — após deixar o território brasileiro sem cumprir determinação judicial de entrega de passaportes —, o senador afirmou que pretende atuar como líder da oposição à distância. Na esfera jurídica, sua estratégia anunciada consistirá em focar em denúncias de abuso de poder político e econômico contra a campanha vencedora, deixando de lado qualquer investida formal contra a contagem das urnas.

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