O ministro Marco Aurélio Belizze, integrante do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ordenou que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, exclua de suas redes sociais um vídeo considerado enganoso. A gravação abordava a manifestação de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada no último domingo na Avenida Paulista, em São Paulo.

De acordo com a decisão da Justiça Eleitoral, o conteúdo publicado utilizou registros visuais que não pertenciam ao evento para tentar sugerir o consumo de entorpecentes por simpatizantes petistas. A gravação em questão exibe três pessoas sentadas em uma área aberta, sendo que uma jovem de cabelo vermelho aparece inalando um pó branco semelhante à cocaína.

Investigações e checagens apontaram que o material audiovisual já circulava na internet antes mesmo da mobilização na capital paulista. Registros indicam que a publicação original teria ocorrido no Chile, tendo sido compartilhada na véspera do ato por contas na rede social X, incluindo perfis estrangeiros que associaram as imagens a manifestações pró-Palestina.

Em seu despacho, o ministro Belizze destacou que a mesclagem de fatos reais com situações fictícias ou desconectadas do evento original é prejudicial ao debate público. O magistrado classificou a conduta como grave manipulação decorrente de descontextualização.

Além de Flávio Bolsonaro, a determinação judicial alcança outras figuras públicas, como o senador eleito Carlos Bolsonaro, o empresário Pablo Marçal e o deputado federal eleito Rony Gabriel, estabelecendo o prazo de 24 horas para a remoção das postagens.

A decisão também ordenou que a empresa Meta retire do ar uma publicação de teor semelhante veiculada pelo perfil Sociedade em Fatos, além de exigir a identificação do responsável pela página.

Por fim, a Justiça ressaltou que o entendimento do TSE não proíbe críticas, opiniões ou manifestações contrárias a atos políticos por parte de opositores, desde que tais manifestações ocorram sem o uso de manipulações factuais ou conteúdos descontextualizados.

Origem da informação: G1 — veja a fonte original.