O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, assumiu oficialmente o cargo de presidente do país nesta sexta-feira (6). A posse ocorreu no Congresso paraguaio, logo após o Senado aprovar o impeachment e o afastamento definitivo de Santiago Peña. A mudança de comando no Executivo acontece em um momento de profunda instabilidade política e financeira na nação sul-americana.
A crise foi desencadeada pelo fechamento repentino do banco ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, que encerrou suas atividades na última terça-feira (3). A medida foi tomada após o Banco Central iniciar a liquidação da instituição financeira, apontando falta de recursos para honrar obrigações decorrentes de empréstimos concedidos a empresas ligadas ao próprio grupo. Com cerca de 3 milhões de clientes afetados, o banco retinha aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, montante que incluía verbas do Instituto de Previdência Social.
Diante do colapso financeiro, Santiago Peña — que é economista e atuou como acionista do grupo controlador do banco até março do ano passado — enfrentou julgamento político. O Senado aprovou sua destituição sob acusações de conflito de interesses, manipulação de normas regulatórias e desvio de verbas previdenciárias. Além disso, o processo apontou que o Banco Central teria encoberto as falhas na instituição financeira.
Durante a cerimônia de posse no Parlamento, o novo mandatário prometeu publicamente que todos os cidadãos com recursos congelados na instituição bancária recuperarão seus valores. A prioridade declarada busca conter o impacto social e econômico imediato decorrente da paralisação das atividades do ueno.
Aos 52 anos, Pedro Alliana é natural de Pilar, no departamento de Ñeembucú, é casado e tem quatro filhos. Formado em Relações Internacionais pela Universidade San Sebastián, ele atuou no comércio antes de ingressar na vida pública e, na juventude, integrou a seleção paraguaia de basquete.
Alliana é filiado ao Partido Colorado, mesma legenda de Peña e tradicional força política no Paraguai. Sua trajetória inclui o mandato de governador de Ñeembucú entre 2008 e 2012 e dez anos como deputado federal, de 2013 a 2023, período em que liderou a bancada colorada na Câmara. Em abril, ele havia lançado sua pré-candidatura para as eleições presidenciais de 2028, contando com o endosso de Peña e do ex-presidente Horacio Cartes.
Origem da informação: G1 — veja a fonte original.


