O Congresso do Paraguai aprovou nesta sexta-feira o impeachment do presidente Santiago Peña, culminando uma profunda crise política e financeira que abalou o país sul-americano nos últimos dias. A turbulência institucional começou após o fechamento repentino do banco digital ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, que deixou aproximadamente três milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos e concentrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo verbas do Instituto de Previdência Social.
A crise no setor financeiro desencadeou reações imediatas em Brasília e no cenário interno, chegando rapidamente ao Poder Legislativo. Na quinta-feira, deputados da oposição formalizaram um pedido de impeachment contra o presidente e o vice-presidente Pedro Alliana. Os parlamentares apontaram possíveis conflitos de interesse, manipulação de regras, desvio de recursos previdenciários e suposto acobertamento de irregularidades por parte do Banco Central. O presidente Santiago Peña, que é economista, atuou como acionista do grupo controlador do ueno até março do ano passado.
Ainda na quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo de impeachment contra o mandatário, rejeitando o pedido equivalente contra o vice-presidente. Horas mais tarde, em meio à intensa pressão, Peña publicou um vídeo nas redes sociais anunciando sua intenção de renunciar ao cargo para preservar a estabilidade institucional, embora a decisão ainda precisasse passar pelo crivo do Congresso.
Contudo, a tentativa de renúncia gerou um forte embate entre parlamentares. A oposição defendeu a rejeição da carta de renúncia para dar continuidade ao impeachment, argumentando que a saída voluntária garantiria a Peña uma vaga de senador vitalício e imunidade parlamentar. Por outro lado, governistas tentaram aprovar a saída voluntária para agilizar a transição. Sem votos suficientes, parlamentares do partido de Peña abandonaram o plenário, derrubando o quórum.
Diante da paralisação, o Senado retomou os debates e aprovou nesta sexta-feira a destituição do presidente com o voto dos 44 senadores presentes. Com a decisão, Peña perdeu o direito ao cargo de senador vitalício. O Ministério Público abriu investigações criminais para apurar a conduta de Peña, do vice-presidente Pedro Alliana e de autoridades do Banco Central. Com a saída oficial, Alliana deve assumir a Presidência para concluir o mandato, cujo término está previsto para agosto de 2028.
Origem da informação: G1 — veja a fonte original.


