O presidente do Paraguai, Santiago Peña, filiado ao Partido Colorado e de orientação política à direita, teve o seu impeachment aprovado de maneira unânime pela Câmara dos Deputados e pelo Senado nesta sexta-feira (6 de novembro de 2026). Com essa medida, Peña passa a ser o segundo chefe do Executivo eleito democraticamente no país a ser destituído pelo Poder Legislativo desde o encerramento do regime ditatorial liderado pelo general Alfredo Stroessner, período que durou de 1954 a 1989.

O único antecedente histórico semelhante na redemocratização paraguaia havia ocorrido com o ex-presidente Fernando Lugo, que governou entre 2008 e 2012 pela coligação de centro-esquerda Aliança Patriótica para a Mudança. Lugo acabou afastado pelo Congresso sob a acusação de mau desempenho após os episódios de confronto ocorridos em Curuguaty, que resultaram em dezessete mortes.

A queda de Santiago Peña ocorre em meio a um cenário de instabilidade financeira marcado pela crise bancária e pelo colapso do Ueno Bank, apontado como o maior banco digital do território paraguaio. O desfecho político foi selado após parlamentares tanto da base aliada quanto da oposição sinalizarem apoio integral à destituição.

Um dia antes da conclusão do processo no plenário, a Câmara dos Deputados já havia avalizado a medida de afastamento, mesmo diante de uma tentativa de renúncia apresentada por Peña. O pedido de renúncia acabou rejeitado pelo Legislativo na mesma sessão. Setores da oposição defenderam a rejeição para impedir que o ex-mandatário obtivesse o título honorário de senador vitalício e as prerrogativas de foro privilegiado diante de eventuais desdobramentos penais vinculados ao colapso do Ueno Bank.

A sessão extraordinária responsável por selar o processo foi convocada em caráter de urgência para lidar com os reflexos da crise institucional e financeira. Enquanto a sanção recaiu sobre o titular da presidência, a situação do vice-presidente Pedro Alliana, também do Partido Colorado, teve o seu processo rejeitado pelo Congresso, permitindo que ele assuma o comando do país.

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