O principal índice do mercado acionário brasileiro registrou uma queda acentuada nesta segunda-feira, levando a B3 a acionar o mecanismo de circuit breaker logo na abertura dos negócios. A medida ocorreu após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, contrariando as expectativas predominantes entre os investidores e gerando forte aversão ao risco no mercado financeiro.
O Ibovespa despencou inicialmente 13,88%, atingindo 176.608,23 pontos, o que representou a maior perda percentual desde março de 2020, no período crítico da pandemia de Covid-19. Com a suspensão temporária de 30 minutos nas negociações de ativos à vista, renda fixa privada e opções, o índice chegou a recuar 17,34% logo após a retomada, alcançando 169.516,43 pontos. No mercado futuro, a B3 precisou ampliar duas vezes o limite de queda para contratos do Ibovespa e minicontratos, passando de 10% para 15% e, posteriormente, para 20%.
Segundo analistas e agentes financeiros, grande parte do mercado vinha se posicionando para uma vitória de Flávio Bolsonaro, impulsionada pela liderança do senador no primeiro turno e pela expectativa de uma mudança em Brasília voltada à melhora das contas públicas. Com a vitória de Lula por 51,79% a 48,21% dos votos válidos, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os portfólios passaram por um ajuste severo para desfazer posições e direcionar recursos para o caixa.
Especialistas apontam que a principal apreensão dos investidores diz respeito à trajetória fiscal do país e ao futuro das contas públicas a partir de 2027, com receios relacionados a possíveis aumentos de gastos, manutenção de crédito subsidiado e elevação da dívida em relação ao Produto Interno Bruto. Enquanto equipes de instituições financeiras como UBS e Citi destacaram a surpresa com o resultado, gestores avaliaram que o movimento refletiu uma forte correção de preços e volatilidade até que o novo governo detalhe seus compromissos com a responsabilidade fiscal.
Origem da informação: InfoMoney — veja a fonte original.

