O economista Tiago Cavalcanti, professor titular da Universidade de Cambridge, avalia que o governo brasileiro não deve recorrer a atalhos para equilibrar as contas públicas. Segundo o acadêmico, o cenário econômico exige a sinalização rápida de medidas críveis para um ajuste fiscal gradual e sustentável ao longo dos próximos anos. A estratégia, na visão do professor, deveria focar na formação de uma equipe econômica comprometida com o equilíbrio orçamentário para ancorar as expectativas do mercado.

Para o especialista, o controle de gastos não é incompatível com as promessas de campanha de manter programas sociais. No entanto, Cavalcanti aponta que a regra de reajuste do salário mínimo acima da inflação precisa ser revista. O economista argumenta que o reajuste apenas pela inflação garantiria a recuperação do poder de compra, enquanto aumentos reais poderiam pressionar excessivamente as contas, dado que o salário mínimo serve de base para benefícios previdenciários e assistenciais que compõem grande parte das despesas primárias da União.

A proposta de reduzir a taxa básica de juros (Selic) de forma abrupta, defendida pelo economista André Lara Resende, foi duramente criticada por Cavalcanti. Ele alerta para os riscos de intervenções que ignorem os mecanismos de mercado, citando o caso da Turquia como exemplo de consequências inflacionárias negativas após pressão política sobre a política monetária. Para o professor da Fundação Getúlio Vargas, o atual patamar elevado da Selic é reflexo da necessidade de trajetória sustentável para a dívida pública em um contexto de inflação acima da meta.

Cavalcanti destaca que a incerteza fiscal afeta diretamente o câmbio e a inflação no curto prazo. Ele ressalta a importância de o governo construir uma comunicação transparente que gere confiança entre investidores. Diferentemente de cenários de crise passados, o economista acredita que é possível adotar uma postura de ajuste suave, semelhante à prática orçamentária anual realizada no Reino Unido, evitando estratégias que levem o governo a confrontar as expectativas de mercado.

Origem da informação: BBC News Brasil — veja a fonte original.