No fim da tarde de quarta-feira (28), Flávio Bolsonaro publicou em suas redes sociais uma carta redigida em tom golpista a partir dos Estados Unidos, chegando a se autoproclamar presidente eleito e verdadeiro presidente do Brasil em sua primeira versão. Na postagem inicial, veiculada às 17h19, o candidato derrotado do PL agradeceu o apoio do presidente Donald Trump e do presidente argentino Javier Milei, a quem atribuiu ajuda em sua viagem para deixar o território brasileiro. Pouco tempo depois, contudo, a publicação foi alterada e o trecho da autoproclamação foi removido, sendo substituído pelo termo líder do Brasil.

Em sua manifestação escrita, o senador alegou a ocorrência de fraudes eleitorais e criticou duramente a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que estendeu o horário de votação em duas horas no domingo (25). Na argumentação apresentada na carta, Flávio classificou a medida como uma atuação ilegítima e ilegal, ignorando o fato de que a sua própria campanha e a de Lula acionaram o Tribunal Superior Eleitoral para pedir a prorrogação do horário de votação. O texto também menciona suposta perseguição e faz referência sem citação nominal ao ministro Alexandre de Moraes, associando a apreensão de seus passaportes a poucos minutos após o encerramento do pleito.

Ainda na noite de domingo (25), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, confirmou a vitória de Lula e declarou que a prorrogação do horário não comprometeu o resultado final do pleito, ressaltando que nenhuma alteração decorreu da decisão judicial. Dados divulgados pelo tribunal na terça-feira (27) indicam que o segundo turno registrou pouco mais de 34 mil votos computados após as 17h, enquanto a diferença oficial nas urnas apontou que Lula superou Flávio em 4,43 milhões de votos. No mesmo dia, o PL, partido do senador, já havia reconhecido publicamente o resultado das urnas.

Diante das repercussões, autoridades e aliados políticos se manifestaram sobre o cenário. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou que o processo eleitoral chegou ao fim e que o momento exige responsabilidade, serenidade e o respeito ao resultado democrático para a construção de uma oposição forte. Por sua vez, o presidente do TSE reiterou em nota oficial na noite de quarta-feira que o pleito ocorreu dentro de absoluta normalidade e com total respeito às normas legais e constitucionais.

Origem da informação: G1 — veja a fonte original.