O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou como totalmente equivocada a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que questionou a legitimidade do pleito presidencial brasileiro vencido por Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista concedida na segunda-feira à Rede Vanguarda, afiliada da TV Globo no interior paulista, o vice-presidente rejeitou qualquer interferência externa no processo democrático nacional e pontuou que o líder norte-americano não apresentou elementos concretos para sustentar suas suspeitas.

Segundo Alckmin, a regra basilar das relações internacionais estabelece que não se deve interferir na política de outros países. O vice-presidente defendeu a segurança do sistema eletrônico de votação e afirmou que o Brasil constitui um exemplo mundial em termos de urnas eletrônicas e segurança jurídica. Ele ainda ressaltou que o processo democrático envolve vitórias e derrotas definidas pela vontade popular, cujo caminho primordial deve ser o da negociação.

A eleição presidencial foi definida com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, que obteve 51,8% dos votos válidos, totalizando 64,2 milhões de sufrágios, frente aos 48,2% conquistados por Flávio Bolsonaro, que somou 59,8 milhões. A oficialização do resultado ocorreu na noite de domingo pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques.

Apesar do atrito gerado pelas declarações de Trump, Alckmin sinalizou que a gestão brasileira pretende preservar os canais diplomáticos com Washington e priorizar o avanço das tratativas econômicas. O vice-presidente avaliou que o encerramento da disputa eleitoral permite direcionar esforços para a consolidação de acordos comerciais internacionais, citando entendimentos recentes do Mercosul com Singapura, União Europeia e outras frentes comerciais, além de destacar o crescimento das exportações nacionais.

Durante a mesma entrevista, Alckmin também afastou os rumores a respeito de uma eventual transição para o comando do Ministério da Fazenda. Questionado sobre a possibilidade de assumir a pasta econômica no próximo mandato, o vice-presidente eleito negou ter recebido qualquer convite e ponderou que o presidente Lula disporá de tempo hábil para definir e montar sua equipe ministerial até o início do mandato em janeiro.

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