Nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, o Partido Democrata conquistou o controle tanto da Câmara dos Representantes quanto do Senado nos Estados Unidos. Com 228 cadeiras na Câmara e 54 no Senado, a oposição garantiu a maioria necessária para influenciar a agenda legislativa e fiscalizar as ações do governo Trump pelos próximos dois anos. A vitória, que superou as projeções iniciais, ocorre em um momento de queda na popularidade do presidente, cuja gestão enfrenta críticas devido ao elevado custo de vida, especialmente com os preços dos combustíveis.

Especialistas apontam que a chamada "onda azul" deve dificultar a aprovação de propostas de impostos, gastos públicos e desregulamentação por parte da administração republicana. O cenário de impasse legislativo pode gerar volatilidade nos mercados globais, uma vez que o poder do Congresso para vetar ou adiar medidas presidenciais se torna mais robusto. Além disso, a oposição terá maior ingerência na aprovação de cargos estratégicos, como indicados para o Federal Reserve e o Judiciário, embora Trump mantenha o poder de veto presidencial.

Para o Brasil, os reflexos dessas eleições passam pelos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e pelo valor do dólar. Se o controle democrata limitar o aumento das despesas públicas americanas, a pressão sobre os juros de longo prazo nos Estados Unidos pode arrefecer, o que teoricamente tornaria emergentes como o Brasil mais atrativos. Contudo, incertezas persistem, uma vez que a relação entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva é observada com cautela, dada a possibilidade de atritos comerciais e políticos.

Analistas advertem que o impacto no câmbio não será determinado apenas pelas eleições americanas, mas somado aos fatores internos do Brasil. Embora a mudança no Congresso dos EUA possa frear novas tarifas comerciais, o presidente ainda dispõe de dispositivos legais, como as Seções 232 e 301, para impor medidas protecionistas. Portanto, o ambiente de incerteza política entre Washington e Brasília, aliado à volatilidade dos juros americanos, tende a manter o dólar pressionado no curto prazo, exigindo atenção dos investidores quanto ao comportamento das taxas de juros futuras e o custo do crédito no país.

Origem da informação: G1 — veja a fonte original.