O sistema financeiro do Paraguai enfrenta uma grave crise após a constatação de irregularidades contábeis no Ueno Bank, instituição digital que atendia 40% da população do país. Uma análise técnica da Superintendência de Bancos revelou que o banco tentou simular a venda à vista de uma carteira de créditos inadimplentes, avaliada em US$ 74,4 milhões, para contornar exigências regulatórias do Banco Central do Paraguai (BCP).

A investigação aponta que o Ueno Bank ultrapassou limites de crédito concedidos a empresas do mesmo grupo econômico — Grupo Hendy, Grupo M e Mowi. Para evitar sanções, o banco transferiu esses ativos problemáticos para a Vinanzas S.A., empresa vinculada ao Grupo Vázquez. Contudo, as normas bancárias proíbem que instituições financiem, direta ou indiretamente, a aquisição de ativos por empresas do próprio conglomerado.

O relatório de fiscalização detalha que a Vinanzas não possuía recursos próprios para a transação, contando com pouco mais de US$ 93 mil um dia antes do negócio. Para viabilizar a compra, o Ueno Bank estruturou uma operação paralela complexa: concedeu empréstimos vultosos a empresas intermediárias, que repassaram os valores à Vinanzas. Esse fluxo de dinheiro foi mascarado através de operações relâmpago e triangulações via mercado de capitais.

A manobra permitiu que a conta da Vinanzas recebesse mais de US$ 76 milhões em um único dia, simulando o pagamento pelo qual o Ueno buscava se livrar dos créditos tóxicos. Segundo as autoridades, a fragmentação da operação tinha como objetivo ocultar a origem dos recursos e evitar a classificação de financiamento interno, prática vedada pela legislação local.

As consequências dessa descoberta foram imediatas e abrangentes. O BCP decretou a insolvência do banco, resultando no bloqueio de contas e investimentos de clientes. O cenário desencadeou a prisão preventiva de oito executivos e ex-executivos. No âmbito político, a crise culminou na renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, além da saída de diretores da autoridade monetária, enquanto manifestações populares tomam as ruas em busca do ressarcimento de depósitos.

Em defesa da cúpula do banco, o advogado José Fernández Zacur afirmou que o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, desconhecia o destino dos recursos, atribuindo as irregularidades aos setores operacionais, técnicos e comitês de crédito da organização.

Origem da informação: InfoMoney — veja a fonte original.