Uma investigação preliminar realizada pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontou que não foram encontradas publicações com supostas notícias falsas denunciadas pela campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) entre o conteúdo divulgado pelo canal de WhatsApp "Exército de Lula". A comunidade é administrada pelo deputado federal André Janones (PL-MG) e apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A análise da AEED compreendeu o período entre 2 e 11 de outubro e foi determinada pelo presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, após um pedido da candidatura de Flávio para derrubar o canal. O canal chegou a ser suspenso por decisão de Nunes Marques, mas a medida foi revertida no mesmo dia pelo corregedor do TSE, ministro Ricardo Villas-Boas Cuêva. Apesar da reversão, Nunes Marques manteve a ordem para que a AEED investigasse a atuação da comunidade.

A representação da campanha de Flávio Bolsonaro alegava que o canal estaria divulgando informações falsas, como a intenção de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, suposto envolvimento com milícias no Rio de Janeiro, redução de aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), além do cancelamento do reajuste do Bolsa Família. O relatório assinado pelo assessor especial Frederico Franco Alvim indicou que não foram localizadas reproduções das afirmações citadas nos textos, pré-visualizações de links ou áudios transcritos no intervalo examinado.

Apesar de não constatar a circulação direta do conteúdo contestado no período analisado, o documento apontou evidências de atuação coordenada e centralizada na disseminação de conteúdos. Segundo a perícia do TSE, o grupo operava por meio do envio de instruções diárias em formato de missões, estratégia que elevou o número de inscritos do canal. O parecer também destacou o uso recorrente de linguagem militar e polarizadora nas mensagens internas.

A divergência entre as decisões de Kássio Nunes Marques e Ricardo Villas-Boas Cuêva gerou debate interno na corte eleitoral sobre procedimentos e segurança jurídica. O caso agora deverá ser encaminhado ao plenário do TSE para a deliberação definitiva, enquanto as campanhas dos candidatos seguem manifestando posições divergentes sobre os desdobramentos das decisões judiciais.

Origem da informação: BBC News Brasil — veja a fonte original.