O Senado do Paraguai retomou nesta quinta-feira (5) uma sessão extraordinária, constituída formalmente como tribunal, para analisar o processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. A decisão ocorre em meio a uma profunda crise institucional deflagrada pelo fechamento do banco ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos financeiros e gerou protestos em Assunção.

A turbulência política se intensificou quando o Congresso deu os primeiros passos para votar o impedimento de Peña e do vice-presidente, Pedro Alliana. Horas mais tarde, o chefe do Executivo apresentou uma carta de renúncia em um vídeo, pedindo desculpas à população e afirmando que a decisão visava preservar a estabilidade e a paz social do país.

No entanto, a Câmara dos Deputados rejeitou a renúncia e aprovou por unanimidade, com 78 votos, a abertura do processo de impeachment contra Peña. Opositores argumentavam que a saída voluntária permitiria ao presidente assumir o cargo de senador vitalício, garantindo imunidade e foro privilegiado para evitar responder na Justiça pelas acusações relacionadas à crise bancária. O pedido de impeachment contra o vice-presidente, Pedro Alliana, foi rejeitado, abrindo caminho para que ele possa assumir a presidência.

A oposição acusa Santiago Peña de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários, além de apontar que o Banco Central paraguaio teria encoberto irregularidades. O banco ueno, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos e privados, incluindo verbas do Instituto de Previdência Social, teve sua liquidação iniciada após a identificação de insuficiência de recursos para cobrir obrigações.

Diante do escândalo, executivos do banco entregaram-se às autoridades após mandados de prisão emitidos pela Procuradoria, que formalizou acusações contra 27 pessoas e determinou o bloqueio de bens dos envolvidos. Enquanto a Associação de Bancos do Paraguai garantiu que o restante do sistema financeiro opera normalmente, parlamentares designados pela acusação detalharam no plenário os principais pontos da denúncia contra o presidente, cujo futuro político permanece incerto perante o tribunal do Senado.

Origem da informação: G1 — veja a fonte original.