O Senado do Paraguai decidiu não aceitar a renúncia apresentada pelo presidente Santiago Peña e deu continuidade à abertura de um processo de impeachment na noite desta quinta-feira (5). A decisão ocorre em um momento de profunda instabilidade institucional no país, desencadeada pelo fechamento do banco ueno, instituição pertencente ao Grupo Vázquez.

A crise financeira veio à tona após o Banco Central iniciar a liquidação do banco na terça-feira (3), identificando uma falta de recursos para honrar os compromissos da instituição, situação associada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo. A instituição financeira contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo verbas do Instituto de Previdência Social.

Peña, que atuou como acionista do grupo dono do banco até março do ano anterior, passou a ser alvo de acusações por parte da oposição, que aponta conflito de interesses, manipulação de normas e desvio de recursos previdenciários. Além disso, o Banco Central é acusado de encobrir falhas na instituição.

Mais cedo, o presidente divulgou uma carta em vídeo na qual pediu desculpas aos cidadãos afetados pela perda de acesso aos seus recursos financeiros e declarou que deixava o cargo para preservar a estabilidade nacional. Contudo, especialistas apontam que a manobra visava assegurar foro privilegiado como senador vitalício, cargo concedido a ex-presidentes pela Constituição paraguaia.

A estratégia foi barrada porque a legislação determina que o ex-mandatário perde a vaga vitalícia caso sofra julgamento político e seja condenado. O Congresso tem a prerrogativa de aceitar ou recusar renúncias presidenciais e vice-presidenciais, e a Câmara dos Deputados deu o aval inicial ao processo, remetendo o caso ao Senado.

Os senadores agendaram uma nova sessão extraordinária para esta sexta-feira (6), às 10h, momento em que Santiago Peña deverá apresentar sua defesa, contestar as acusações e expor seus argumentos e provas. Para que ocorra a condenação e a perda do mandato, serão necessários ao menos 30 votos, correspondentes a dois terços dos 45 membros do Senado.

Caso o impeachment seja aprovado, Peña perderá também a condição de senador vitalício, e o vice-presidente Pedro Alliana assumirá a chefia do Executivo até o encerramento do mandato, previsto para agosto de 2028. Em mensagem publicada no mesmo dia, Peña afirmou que pretende colaborar com as investigações da Justiça, defendeu a punição dos responsáveis e cobrou o ressarcimento dos clientes afetados pela crise no banco ueno.

Origem da informação: G1 — veja a fonte original.