O presidente do Paraguai, Santiago Peña, solicitou nesta sexta-feira (6) uma prorrogação de 72 horas para preparar sua defesa formal no processo de impeachment aberto contra ele pelo Congresso do país. De acordo com informações divulgadas pelo jornal paraguaio ABC Color, o mandatário argumentou que o tempo concedido inicialmente foi insuficiente para analisar os documentos e selecionar um advogado de confiança.

Em uma carta enviada ao presidente do Congresso e do Senado, Basilio Núñez, Peña detalhou que foi notificado oficialmente sobre o processo às 22h15 da última quinta-feira (5). O material entregue continha uma acusação de 15 páginas acompanhada de cerca de 300 páginas de anexos. Inicialmente, a apresentação da defesa estava marcada para as 10h da sexta-feira, o que representava um intervalo de menos de 12 horas desde a notificação.

Por meio de suas redes sociais, o chefe de Executivo afirmou que pretende exercer seu direito de resposta, mesmo apontando que a decisão sobre o seu caso já teria sido antecipada. O presidente destacou que a prestação de contas é uma responsabilidade perante a população paraguaia e que planeja expor seus argumentos e provas durante o procedimento.

O requerimento foi protocolado pouco antes da retomada da sessão do Senado, que previa a leitura da defesa, a análise de provas, os argumentos finais das partes e a votação do julgamento político ainda para a noite de sexta-feira. Apesar do pedido de adiamento, o presidente do Senado, Basilio Núñez, sinalizou resistência em conceder o prazo extra e indicou a intenção de manter o cronograma original, sem confirmação de uma deliberação formal imediata sobre a prorrogação.

A movimentação ocorre em meio a uma grave crise política institucional. Na quinta-feira (5), Santiago Peña anunciou sua renúncia ao cargo, embora a efetivação da saída ainda dependa de uma apreciação e aprovação por parte do Congresso. No mesmo dia, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo de impedimento, registrando 78 votos favoráveis, enviando o caso para o julgamento no Senado, onde são necessários 30 votos entre os 45 parlamentares para a destituição definitiva.

As acusações e o desgaste político estão atrelados à intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição financeira que enfrentava dificuldades de solvência e possuía ligações com o grupo empresarial do qual Peña atuou como acionista até o ano de 2025. O colapso do banco gerou impactos aos correntistas e motivou protestos populares. Parlamentares também questionam a fiscalização estatal sobre a instituição, a gestão da intervenção e o uso de recursos públicos que estavam depositados no banco.

Origem da informação: InfoMoney — veja a fonte original.