O Senado do Paraguai rejeitou nesta sexta-feira, por 39 votos contrários, o pedido de prazo adicional de 72 horas apresentado pelo presidente Santiago Peña para preparar sua defesa no processo de impeachment. Conforme informações divulgadas, outros 2 senadores se abstiveram na votação. Peña havia argumentado que o período inferior a 12 horas estipulado inicialmente era insuficiente para assegurar o exercício adequado do direito de ampla defesa após ser intimado a comparecer ao colegiado.

O avanço do julgamento político ocorre na sequência de uma série de movimentações institucionais. Na quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo de impeachment contra o mandatário, após rejeitar uma medida semelhante contra o vice-presidente Pedro Alliana. Na mesma ocasião, uma sessão bicameral convocada para analisar a renúncia de Peña foi frustrada pela ausência de quórum, motivada por parlamentares do Partido Colorado. Com o impasse, o Senado seguiu de forma autônoma, nomeou procuradores e convocou o presidente.

A crise institucional foi desencadeada pelos desdobramentos financeiros envolvendo o Ueno Bank, instituição que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai. O banco detinha milhões de clientes e gerenciava recursos expressivos de órgãos públicos e da previdência social. A autoridade monetária apontou questões de solvência e iniciou um processo de resolução, gerando restrições de acesso aos depósitos e protestos públicos. Investigações também examinam transações atípicas em empresas associadas ao grupo controlador.

Parlamentares acusam Santiago Peña de conflito de interesses por conta de sua prévia ligação societária com o grupo empresarial do banco, vínculo que o presidente afirma ter encerrado em março de 2025, negando qualquer irregularidade. A acusação formal também questiona a designação anterior de Carlos Carvallo para a chefia do Banco Central e aponta supostas violações de limites legais na concentração de fundos da previdência social no Ueno Bank, além de atribuir mau desempenho funcional ao governante.

Pelas normas constitucionais do Paraguai, cabe à Câmara dos Deputados formalizar a acusação e ao Senado conduzir o julgamento, sendo exigida maioria qualificada em ambas as etapas. O desfecho do processo também impactará a futura situação jurídica de Peña: enquanto a aceitação prévia de sua renúncia permitiria o exercício do cargo de senador vitalício, uma eventual condenação no impeachment resultaria na perda desse direito e nas imunidades associadas, abrindo espaço para a ascensão do vice-presidente Pedro Alliana ao comando do Executivo.

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