O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo na quinta-feira, dia 4 de novembro. A decisão ocorreu em um cenário de intensa instabilidade política e social, marcada por protestos populares e articulações no Congresso paraguaio que buscavam o seu afastamento definitivo. O estopim da crise foi o colapso do Ueno Bank, uma instituição financeira digital que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) apenas dois dias antes da saída do mandatário.
Em uma declaração transmitida por vídeo, Peña justificou sua renúncia como um gesto voltado para a preservação das instituições democráticas e da paz social no país. O presidente pediu desculpas aos cidadãos pelo ocorrido. Com a vacância do posto, a previsão é que o vice-presidente Pedro Alliana assuma a chefia do Poder Executivo. Peña, que assumiu o mandato em agosto de 2023, deveria permanecer no governo até 2028.
A crise institucional foi agravada pelo papel central que a fintech ocupava na economia local. Criado em 2021, o Ueno Bank atingiu 2,9 milhões de clientes em uma nação de 6,5 milhões de habitantes, passando a gerir aproximadamente 850 milhões de dólares em fundos públicos. O Banco Central do Paraguai interveio após detectar que a instituição não cumpria os requisitos mínimos de solvência, resultando no congelamento de contas e em uma corrida bancária que gerou pânico generalizado entre a população.
Além da crise financeira, Peña enfrentou sérias acusações por parte de opositores e de membros do próprio Partido Colorado. O grupo político, de orientação conservadora, passou por uma debandada de aliados que pressionavam contra o presidente. As críticas focaram em supostos conflitos de interesse, alegações de uso indevido de fundos de pensão e suspeitas de acobertamentos institucionais. O histórico de Peña como acionista do grupo que controlava o banco até março de 2025 e a nomeação de um ex-presidente da instituição para o BCP em 2023 foram pontos centrais nos questionamentos dos parlamentares.
Embora o presidente tenha tentado conter a escalada da crise ao promulgar uma lei que estabelece um prazo de cinco dias úteis para a restituição de grande parte dos fundos dos correntistas, as iniciativas foram insuficientes. Peña reforçou em sua fala final a esperança de que o fundo de garantia de depósitos cumpra seu papel na proteção dos recursos públicos e privados que pertencem aos paraguaios.
Origem da informação: DW Brasil — veja a fonte original.


