O Comitê Nobel Norueguês anunciou nesta sexta-feira (9), em evento realizado em Oslo, na Noruega, que a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 é a sul-africana Navanethem Pillay, conhecida como Navi Pillay. A jurista de 85 anos construiu uma longa trajetória dedicada aos tribunais, com forte atuação desde o período do apartheid em seu país de origem até cortes internacionais criadas para julgar graves violações cometidas contra civis.

Nascida em 23 de setembro de 1941 em um bairro pobre de Durban e de etnia tâmil, Pillay iniciou sua carreira advocatícia em meio ao sistema de segregação racial sul-africano, que restringia direitos civis e políticos da população não branca. O Congresso Nacional Africano (CNA) aponta sua trajetória como parte essencial da luta pela libertação do país. Com o fim do apartheid, ela marcou a história ao se tornar a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte da África do Sul.

Sua atuação jurídica posteriormente expandiu-se para o cenário internacional. Navi Pillay exerceu o cargo de juíza do Tribunal Penal Internacional e presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, instância responsável por julgar os crimes do genocídio de 1994. Além disso, atuou como Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014, período em que liderou o órgão da ONU voltado a monitorar abusos cometidos por governos em todo o planeta.

O anúncio ocorreu em uma edição que contou com 287 candidatos indicados, abrangendo 208 pessoas e 79 organizações, cujas identidades permanecem em sigilo por 50 anos. O comitê responsável pela escolha é composto por cinco integrantes indicados pelo Parlamento da Noruega, sem vínculos diretos com o governo norueguês. A laureada receberá uma medalha de ouro com o perfil de Alfredo Nobel e uma premiação no valor de 12 milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de R$ 6 milhões.

Origem da informação: G1 — veja a fonte original.