O Ministério Público do Trabalho (MPT) protocolou uma ação na Justiça com o objetivo de obrigar a empresa Meta a excluir, no prazo de 24 horas, qualquer publicação que instigue empregadores a monitorar, expor, negar contratações ou demitir colaboradores em razão de suas escolhas políticas ou votos. A medida abrange todas as plataformas sob gestão da companhia, incluindo o Instagram, Facebook e Threads.
Assinada por sete procuradores, a peça jurídica sustenta que a Meta detém responsabilidade sobre o conteúdo veiculado em seus canais. O MPT argumenta que os sistemas de recomendação da empresa, como os Reels e a aba Explorar, impulsionam o alcance de postagens que geram alto engajamento, potencializando a disseminação de materiais que incentivam a perseguição política. O órgão solicita ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região que estabeleça uma indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos.
A iniciativa ocorre em um cenário de aumento expressivo nas denúncias de assédio eleitoral, que saltaram 75% logo após o segundo turno das eleições gerais. Atualmente, o país contabiliza 1.459 casos registrados, com São Paulo liderando o ranking de ocorrências, totalizando 620 denúncias, seguido por Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Conforme apurado pelo MPT, diversas postagens incentivam patrões a vasculhar redes sociais de seus subordinados para verificar o alinhamento político. Há relatos de exposição vexatória de indivíduos, com nomes e fotos, além de celebração de demissões. Em um exemplo citado na ação, apenas quatro publicações em um perfil com 3,8 milhões de seguidores acumularam mais de 2 milhões de curtidas, demonstrando a rápida propagação desse tipo de conduta.
Embora a urgência tenha sido destacada na petição para a contenção dos danos, a primeira audiência para tratar do tema foi agendada apenas para o dia 29 de março de 2027, na 77ª Vara do Trabalho de São Paulo. Procurada sobre as medidas judiciais e as alegações de disseminação de conteúdo ilegal, a Meta afirmou que não comentaria o assunto.
Origem da informação: Agência Brasil — veja a fonte original.


