O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) tem atuado na investigação de 61 denúncias de assédio eleitoral relacionadas ao ambiente profissional, registradas desde o início de 2026. Apenas entre os dias 26 e 28 de outubro, logo após o encerramento das eleições, foram computadas 31 novas queixas, volume que representa mais da metade de todo o montante acumulado ao longo do ano corrente.

A distribuição geográfica dos registros aponta uma concentração nas principais cidades mato-grossenses. Cuiabá lidera o levantamento com 20 denúncias, seguida por Sinop, com nove, Barra do Garças, com sete, Rondonópolis, com quatro, e Várzea Grande, com três. Outras 15 localidades registraram entre um e dois casos cada, sinalizando que a tensão no ambiente de trabalho extrapola os limites da capital.

Em municípios como Lucas do Rio Verde, as investigações abrangem conteúdos compartilhados em aplicativos de mensagens. Relatos apontam para a circulação de listas que sugeriam boicotes a empresas cujos proprietários seriam apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, as conversas incluíam planos para impedir a circulação de ônibus com trabalhadores vindos de outros estados, acompanhadas de ameaças explícitas registradas em prints de comunidades digitais.

Diante do cenário, o MPT-MT reforçou suas ações preventivas e repressivas. Até o momento, foram expedidas 31 recomendações a empregadores e instaurados 25 inquéritos civis. O órgão ressalta que o objetivo é coibir a utilização do ambiente de trabalho para a promoção de constrangimentos, ameaças ou retaliações motivadas por convicções políticas, garantindo que o direito de escolha individual seja preservado.

O órgão também esclarece que, embora as denúncias tenham se intensificado no pós-eleição, o registro não implica que todos os fatos tenham ocorrido exatamente nesse intervalo. Historicamente, o MPT-MT mantém vigilância sobre o tema, tendo processado 119 denúncias nas eleições de 2022 e 21 nas municipais de 2024. A população pode realizar denúncias por meio dos canais oficiais do MPT, com garantia de sigilo da identidade.

Origem da informação: G1 — veja a fonte original.