O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a proibição de saída do Brasil para o senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado nas eleições presidenciais. A medida foi assinada na noite de um domingo, horas após a confirmação matemática da recondução do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto. A ordem judicial atendeu a um pedido formalizado pela Polícia Federal logo após o encerramento do pleito.

De acordo com os investigadores, a corporação identificou risco de fuga do parlamentar, que é investigado por suposta lavagem de dinheiro em um esquema envolvendo empresas do advogado Willer Tomaz e ligações com o setor de apostas online. O pedido da PF ao STF utilizou como argumento uma declaração recente de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, feita em um podcast nos Estados Unidos, na qual sugeria que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição.

Com a derrota na disputa presidencial e o término iminente de seu mandato no início de 2027, Flávio Bolsonaro deixará de contar com a imunidade parlamentar e não obterá prerrogativas do cargo executivo. Além disso, esta será a primeira vez em sua vida pública que ele perderá o foro privilegiado, ficando sujeito às regras aplicáveis a qualquer cidadão perante a Justiça, em meio a inquéritos que tramitam na Suprema Corte sobre lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.

A decisão de Moraes incluiu o cancelamento de passaportes brasileiros, inclusive o diplomático, e exigiu a entrega de documentos de viagem e de outras nacionalidades em um prazo de 24 horas, além de proibir contato com Willer Tomaz. O prazo expirou sem que o senador cumprisse a determinação. Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro criticou a medida, afirmando ter sido intimado ao sair da residência de seu pai, Jair Bolsonaro, e sustentou que a decisão se baseou na declaração de seu irmão.

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