Luiz Inácio Lula da Silva, filiado ao PT, garantiu sua reeleição à presidência da República após superar o senador Flávio Bolsonaro, do PL, na votação do segundo turno realizada no último domingo. Com o resultado, o atual mandatário assegura o seu quarto período à frente do Palácio do Planalto, com permanência prevista no cargo até o final de dezembro de 2030. A apuração alcançou a marca de 98,27% das urnas contabilizadas, registrando 51,75% dos votos válidos para o candidato petista, enquanto seu adversário obteve 48,25%.

A definição ocorreu após uma virada em relação ao cenário configurado no primeiro turno, que havia ocorrido no dia 4 de outubro. Naquela ocasião, Flávio Bolsonaro havia terminado a etapa inicial na liderança com uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos. O desfecho da eleição de 2026 também quebrou um padrão histórico verificado desde o processo de redemocratização do país, período em que todos os postulantes que haviam chegado na frente na primeira fase conseguiam confirmar o triunfo na disputa definitiva.

Para reverter o quadro, a campanha do petista intensificou a mobilização de aliados políticos, focando em redutos eleitorais tradicionais do partido e elevando o tom das críticas em relação aos planos econômicos do oponente, em especial no que tange à redução de despesas públicas. Na reta final, o programa de governo enfatizou temas como o fim da escala de trabalho 6x1 com a meta de baixar a jornada semanal de 44 para 40 horas sem perdas salariais, além do combate ao crime organizado e a continuidade de programas sociais como o Bolsa Família e a expansão do Pé-de-Meia.

No campo econômico e fiscal, o próximo mandato enfrentará o desafio de lidar com uma dívida pública próxima de 83% do Produto Interno Bruto e a pressão de despesas obrigatórias que limitam a margem para investimentos. O governo planeja manter o arcabouço fiscal atual e buscar um superávit primário de 1,3% do PIB até o término da gestão. Contudo, analistas econômicos apontam que a administração federal precisará debater ajustes em gastos indexados para garantir o equilíbrio das contas públicas.

Aos 80 anos de idade, completados dias após o pleito, o presidente mantém Geraldo Alckmin, do PSB, na Vice-Presidência. Além dos desafios econômicos na gestão da máquina federal e na segurança pública, o chefe do Executivo terá de articular uma nova base de sustentação política no Congresso Nacional, marcado pelo crescimento de legendas de direita e centro-direita nas duas Casas legislativas.

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