A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de proibir as apostas online no Brasil ganhou ampla repercussão na imprensa internacional. Veículos e agências de notícias dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França destacaram o peso político da medida, anunciada a pouco mais de uma semana do primeiro turno da eleição presidencial, além de apontarem preocupações com o endividamento das famílias e os reflexos no cenário esportivo nacional.

Horas antes da confirmação oficial, a agência Bloomberg já apontava a proibição como o centro da disputa eleitoral, destacando que o presidente vinha criticando o setor em comícios por esvaziar os orçamentos domésticos. Com pesquisas indicando um cenário de empate na corrida presidencial, a agência assinalou que o governo transformou retórica em política. A Reuters e a AP também noticiaram o decreto, ressaltando o contexto de disputa apertada contra o senador Flávio Bolsonaro, que classificou a ação como uma manobra eleitoral.

A medida provisória estabelece o veto imediato a depósitos em sites de apostas, a suspensão de novos contratos de publicidade e fixa o dia 5 de outubro como prazo limite para que apostadores solicitem o resgate de seus saldos, com o subsequente bloqueio das plataformas licenciadas a partir de 6 de outubro. O texto precisa agora do aval do Congresso Nacional em até um prazo de 120 dias para conversão definitiva em lei.

No Reino Unido, o jornal The Guardian repercutiu a declaração de Lula classificando o ato como drástico e necessário, observando que levantamentos apontam forte respaldo popular. Por sua vez, a agência francesa AFP voltou os holofotes para o impacto financeiro no futebol brasileiro, registrando que treze dos vinte clubes da elite nacional contam com patrocínios máster de empresas de apostas, enquanto atletas de projeção global como Neymar e Vinicius Junior estrelam campanhas publicitárias do segmento.

A mesma agência detalhou que o governo informou que os valores pagos pelas oitenta e cinco licenças concedidas, de trinta milhões de reais cada, não serão restituídos. Em resposta, o setor empresarial prepara reações jurídicas e mercadológicas. A Associação Nacional de Jogos e Loterias alertou que a interdição tende a direcionar apostadores para o mercado informal ilegal, ao passo que o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável indicou que operadoras avaliam recorrer à Justiça para reaver investimentos e taxas de outorga.

Origem da informação: G1 — veja a fonte original.