A promulgação da emenda à Constituição pelo Congresso Nacional, que encerra a tradicional escala de trabalho 6x1, gerou reações divergentes entre os sindicatos que representam trabalhadores e as entidades patronais na região de Piracicaba (SP). A medida, publicada no Diário Oficial da União, marca a primeira alteração na jornada laboral em 38 anos, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988.
A nova legislação estabelece a garantia de dois dias de repouso remunerado por semana aos profissionais, sem que haja qualquer redução em seus salários. O cronograma de transição prevê que a jornada máxima diminua gradativamente de 44 para 40 horas semanais. Na primeira etapa, iniciada logo após a publicação oficial, passa a valer o limite de 42 horas semanais e o direito aos dois dias de folga. Doze meses depois, o teto cairá definitivamente para 40 horas.
Enquanto o setor laboral celebrou a mudança, o segmento industrial e comercial manifestou apreensão. O Sindicato Patronal das Indústrias do Setor Metalmecânico de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras (Simespi) avaliou que a alteração pode elevar custos produtivos, afetar a competitividade e criar novos entraves para a manutenção de postos de trabalho. A entidade também mencionou as dificuldades enfrentadas pelo setor de máquinas e equipamentos devido a tarifas comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos, ponderando que modificações na jornada deveriam vir acompanhadas de foco na produtividade, qualificação e modernização.
No mesmo sentido, a Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi) apontou que segmentos como hospitais e shoppings centers precisarão de planejamento financeiro, diálogo e renegociações coletivas para lidar com a nova organização das equipes e os impactos operacionais. Por sua vez, o Sindicato do Comércio Varejista de Piracicaba e Região (Sincomércio) destacou que os pequenos negócios, já pressionados financeiramente, podem sofrer com o aumento de custos, possíveis reajustes nos preços ao consumidor e riscos aos empregos formais.
Em contrapartida, as entidades de trabalhadores enxergaram a transição para a escala 5x2 como um avanço histórico. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Piracicaba (Sincomerciários) classificou a conquista como de grande valia, ressaltando que a maioria da mão de obra é composta por mulheres submetidas a jornadas duplas, e avaliou que o dia extra de descanso poderá estimular novas contratações. Já o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Piracicaba (Sinticompi) relatou celebração entre funcionários de uma empresa local e defendeu que a retribuição salarial adequada é a solução para eventuais preocupações patronais com a produtividade.
Origem da informação: G1 — veja a fonte original.




