O empresário Federico Miguel Vázquez Villasanti, de 36 anos, conhecido como Miguel Vázquez, tornou-se o epicentro de uma crise financeira e política de grande proporção no Paraguai. Como primeiro vice-presidente e fundador do Ueno Bank, além de presidente do Grupo Vázquez, o empresário viu seu conglomerado desmoronar após fiscalizações da Superintendência de Bancos apontarem irregularidades graves. A derrocada da instituição financeira teve impactos diretos na mais alta esfera do poder nacional, culminando na renúncia do presidente paraguaio Santiago Peña.

Formado pela Incae Business School e com passagens por instituições internacionais como Harvard e Universidade de Miami, Vázquez assumiu os negócios da família e expandiu a atuação para os setores de tecnologia e finanças. Por meio de holdings em Luxemburgo e no Paraguai, ele controlava 28 empresas em seis setores, sendo o Ueno Bank o principal motor do conglomerado, respondendo por cerca de 59% do Ebitda. Após se transformar em banco digital em 2023, a instituição teve uma ascensão vertiginosa, alcançando cerca de 3 milhões de clientes e acumulando US$ 2,8 bilhões em depósitos.

A situação ruiu quando o Banco Central do Paraguai determinou a liquidação do banco devido à queda drástica no índice de solvência, que despencou para menos de 50% do limite legal exigido. Auditorias e investigações revelaram a concessão de mais de US$ 146 milhões em empréstimos irregulares e acima dos limites regulatórios para companhias ligadas ao próprio grupo controlador. Diante das irregularidades, Miguel Vázquez passou a figurar entre os indiciados em inquéritos criminais conduzidos pelo Ministério Público, que investiga suspeitas de gestão fraudulenta, enriquecimento ilícito e problemas em uma carteira de crédito multibilionária.

O impacto político do escândalo atingiu diretamente o governo. O então presidente Santiago Peña havia sido acionista do grupo até março de 2025 e nomeou para a presidência do Banco Central o economista Carlos Carvallo, que presidiu o Ueno Bank até agosto de 2023. A oposição passou a apontar suspeitas de favorecimento regulatório, conflito de interesses, encobertamento de infrações e o repasse irregular de fundos de aposentadoria do Instituto de Previsão Social para o banco. Com a abertura de um processo de impeachment, a crise culminou no anúncio da renúncia de Peña.

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