As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, definem o equilíbrio de forças no Congresso dos Estados Unidos. O pleito ocorre em meio a projeções que apontam a possibilidade de o Partido Democrata reconquistar a maioria tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, alterando o cenário político de oposição ao governo do presidente Donald Trump.

Com a chegada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos na semana anterior, após deixar o Brasil, internautas e apoiadores mobilizaram-se nas redes sociais com pedidos para que parlamentares democratas atuem pela deportação do político brasileiro. A repercussão digital incluiu o compartilhamento massivo de tags na plataforma X.

Especialistas em relações internacionais ressaltam, no entanto, que o Poder Legislativo norte-americano não possui jurisdição ou competência para realizar deportações ou expulsões. A gestão de vistos e as medidas migratórias são atribuições exclusivas de órgãos do Poder Executivo, como o Departamento de Estado, liderado por Marco Rubio, e o Departamento de Segurança Interna.

Apesar da limitação legal do Congresso sobre o tema migratório, uma eventual maioria democrata nas Casas legislativas poderia instaurar investigações parlamentares. O objetivo seria apurar se houve algum tipo de favorecimento por parte de autoridades norte-americanas ou da administração de Donald Trump na concessão de vistos e na entrada do senador e de sua família no território dos Estados Unidos.

Parlamentares democratas já manifestaram movimentações sobre o caso. Um grupo de deputados liderado por integrantes do Comitê de Relações Exteriores enviou um questionamento formal ao Departamento de Estado cobrando esclarecimentos a respeito de um suposto auxílio governamental na viagem de Flávio Bolsonaro.

Ainda assim, analistas avaliam que o caso do senador brasileiro não figura entre as principais prioridades da oposição norte-americana caso o partido conquiste o controle do Congresso. A tendência é que os esforços parlamentares concentrem-se em questões internas, como a economia, o custo de vida e o enfrentamento direto às propostas legislativas da presidência, tendo em vista também o horizonte da disputa eleitoral de 2028.

Origem da informação: G1 — veja a fonte original.