Durante o debate da TV Globo realizado na sexta-feira (23 de outubro de 2026), os candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), apresentaram propostas e discutiram projetos de infraestrutura que pretendem executar ou concluir no próximo mandato. Os candidatos utilizaram as iniciativas para buscar dividendos eleitorais e debater a continuidade de políticas para o setor de transportes.
Flávio Bolsonaro destacou a intenção de dar continuidade à carteira de ferrovias e apresentou uma proposta inédita em seu plano de governo: a construção de um trem de passageiros ligando capitais do Nordeste. O projeto prevê uma ferrovia de 1.400 quilômetros passando por Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza, com o objetivo de incentivar o turismo na região. A campanha do candidato, no entanto, ainda não apresentou detalhes como orçamento ou traçado, mas a coordenação econômica apontou que a obra poderia ser viabilizada por meio de parcerias público-privadas e capital de empresas, sem aportes do Orçamento da União. O candidato do PL também prometeu concluir as obras da Transnordestina e investir em concessões rodoviárias.
Por sua vez, o presidente Lula enfatizou os investimentos realizados por sua gestão na área de infraestrutura, citando empreendimentos como a própria Transnordestina, a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), cujos leilões devem ocorrer em 2027. No setor rodoviário, o petista destacou obras na Nova Serra das Araras, na Via Dutra, e ressaltou os esforços voltados para o asfaltamento da BR-319, na região Norte, ligando Porto Velho a Manaus.
A BR-319 é considerada um dos empreendimentos mais sensíveis do país devido a impasses ambientais e judiciais que cercam o asfaltamento do chamado “trecho do meio”, que atravessa áreas preservadas da floresta amazônica. O projeto enfrentou resistência de órgãos ambientais e do Ministério do Meio Ambiente nos últimos anos, gerando debates sobre desmatamento e ocupação irregular. O impasse político e ambiental foi amenizado após um acordo firmado em julho de 2025 entre os ministérios dos Transportes e do Meio Ambiente, que resultou no “Plano 319” para conciliar o andamento das obras com ações de proteção ambiental. Em 2026, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes publicou editais para melhorias na trecho.
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