O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) tomou a decisão de não afastar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, dos procedimentos relacionados ao escândalo do Banco Master. Além disso, por uma margem apertada de votos, o colegiado rejeitou a abertura de um inquérito contra o chefe da PGR.
A análise interna no MPF surgiu após relatórios da Polícia Federal apontarem supostos laços pessoais entre Gonet e o ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. Em uma deliberação inédita na história do órgão, os nove conselheiros votaram de forma unânime contra o afastamento. Como Gonet preside o CSMPF, a sessão foi comandada pelo vice-presidente Nicolao Dino, subprocurador-geral e irmão do ministro do STF Flávio Dino.
A votação sobre a abertura de investigação foi mais acirrada, terminando com cinco votos contrários e quatro favoráveis. O relator do caso, Francisco Sanseverino, votou pelo arquivamento junto com Alexandre Camanho, Celso de Albuquerque, Nicolao Dino e Hindenburgo Chateaubriand. Em contrapartida, os conselheiros Samantha Chantal, Janice Ascari, José Adônis e Ana Borges Coelho Santos defenderam a designação de um subprocurador-geral para aprofundar a apuração contra o PGR.
O relator argumentou que não cabia ao Conselho decidir sobre eventual impedimento ou suspeição de Gonet nos processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal e apontou ausência de elementos mínimos de materialidade ou autoria de crime. Sanseverino destacou que a Polícia Federal não encontrou contatos diretos entre o PGR e o ex-banqueiro, ressaltando que as referências a Gonet estavam em conversas de terceiros, especificamente entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares.
Segundo o voto do relator, o encontro entre Gonet e Vorcaro em Londres, ocorrido em abril de 2024, tratou-se de um episódio isolado e superficial em ambiente social. Sanseverino também pontuou que, a partir de julho de 2025, o procurador-geral agiu para dar apoio institucional aos promotores encarregados das investigações em Brasília e São Paulo.
Relatórios da PF, obtidos por meio do celular de Vorcaro na Operação Compliance Zero, mostravam registros de articulações e diálogos envolvendo Ciro Soares e menções a despesas de viagem. Por sua vez, Gonet declarou não ter relação de proximidade com o ex-banqueiro, classificando o contato mantido como brevíssimo e banal. A Procuradoria-Geral da República já havia se manifestado ao STF para defender a anulação do relatório da Polícia Federal.
Origem da informação: DW Brasil — veja a fonte original.


