O Conselho Nacional de Justiça realizou nesta quarta-feira uma operação de busca e apreensão no gabinete do desembargador Newton Ramos, integrante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, localizado em Brasília. A medida foi ordenada pelo corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, e executada por agentes da Polícia Federal.
A investigação contra o magistrado teve início após o seu nome aparecer em diálogos extraídos do telefone celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com as informações apuradas, assessores do ex-banqueiro mencionaram que o desembargador e sua esposa fariam parte de um grupo referido como Turma do KN, menção associada ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal.
A ofensiva do CNJ aconteceu logo após o órgão determinar a anulação de precatórios pertencentes a usinas sucroalcooleiras que repassaram os créditos ao Banco Master. Os papéis somam uma quantia de R$ 4,7 bilhões. A iniciativa ocorreu em resposta a uma demanda da Advocacia-Geral da União para reverter determinações do TRF1 que ordenavam depósitos judiciais dos valores de dezesseis precatórios antes do trânsito em julgado das ações.
As revelações sobre os precatórios bilionários surgiram após divulgação jornalística sobre um contrato de R$ 427 milhões firmado entre a instituição financeira e o escritório de advocacia da esposa de Newton Ramos, a advogada Camilla Ramos, prevendo honorários de êxito em causas do setor sucroalcooleiro.
Em manifestação oficial, o desembargador declarou que segue exercendo suas funções e avalia a correição do CNJ como um procedimento regular e natural. Por sua vez, o escritório de advocacia confirmou a existência do vínculo contratual formal com o banco para atuar nos processos de precatórios, negando contudo ter recebido quaisquer quantias a título de pró-labore ou sucesso. O ministro Nunes Marques também se manifestou, afirmando que jamais manteve trocas de mensagens com Vorcaro e que não conferiu autorização a terceiros para atuarem em seu nome.
Origem da informação: Agência Brasil — veja a fonte original.




