Com a aproximação das Eleições 2026 no mês de outubro, o debate político tende a entrar na rotina profissional, trazendo desafios para a convivência entre equipes. Embora a Constituição Federal de 1988 garanta a liberdade de expressão, especialistas apontam a necessidade de cautela para evitar que divergências ultrapassem os limites da cordialidade e prejudiquem o ambiente corporativo.
De acordo com profissionais ouvidos pelo setor, o pleito eleitoral costuma intensificar conflitos porque as discussões envolvem valores, crenças, identidade e visões de mundo, e não apenas partidos ou candidatos. Manifestar apoio é permitido, mas a convivência exige atenção para que diferenças de opinião não se transformem em ofensas, discriminação ou assédio no local de trabalho.
Juliana Sardinha, diretora de Diálogos Organizacionais da ABRH Brasil, destaca que o problema surge quando a discordância de ideias passa a desqualificar a pessoa que pensa de forma distinta. Ela ressalta que conviver não significa concordar, recomendando evitar suposições baseadas em posições políticas e respeitar quem opta por não participar de debates sobre o tema. Posturas como ironias, ataques pessoais e insistência no convencimento tornam a conversa prejudicial.
Marcella Moura, especialista em RH da Acerta Consultoria, aponta que a polarização pode extrapolar o campo das opiniões e gerar afastamentos entre colegas de equipe. Para ela, discussões devem ser evitadas quando há risco de prejudicar o clima profissional, embora debates focados em propostas e conduzidos com imparcialidade possam ser enriquecidos pelo respeito mútuo.
Gustavo Chehara, CEO da Joyn Benefícios, reforça que a atuação do Recursos Humanos deve focar nos comportamentos e em seus impactos, intervindo quando ocorrem constrangimentos ou desrespeito. A proibição total das conversas não é considerada realista, sendo fundamental o estabelecimento de regras claras de convivência e a proteção de funcionários contra pressões indevidas.
Entre as recomendações para evitar conflitos estão respeitar as opiniões alheias, evitar o convencimento a qualquer custo, abster-se de ataques pessoais e ter cautela com publicações e mensagens em canais corporativos. Líderes também devem redobrar a atenção, uma vez que manifestações de chefes podem ser interpretadas como tentativa de influência devido à relação hierárquica. Em casos de hostilidade, a orientação é recorrer aos canais internos da empresa.
Origem da informação: G1 — veja a fonte original.




