O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou seu quarto mandato presidencial após encerrar o segundo turno com uma vantagem de 4,4 milhões de votos sobre seu oponente, Flávio Bolsonaro, representando cerca de 3,5 pontos percentuais de diferença em âmbito nacional. O resultado foi consolidado após uma reviravolta no segundo turno, visto que Lula havia terminado a primeira etapa da disputa em desvantagem, cerca de 2,2 milhões de votos atrás do candidato do PL.

Embora Flávio Bolsonaro tenha terminado o pleito em primeiro lugar na região Sudeste — que concentra 66,7 milhões de eleitores e representa 41,8% do total nacional —, foi justamente nessa região que ocorreu a maior movimentação de votos em números absolutos em direção ao petista. O senador do PL garantiu 52,76% dos votos no Sudeste, frente aos 47,24% obtidos por Lula. No entanto, a vantagem de 5,66 milhões de votos que Flávio acumulava na região no primeiro turno foi reduzida para 2,81 milhões no segundo.

Dos 10,3 milhões de votos extras que Lula recebeu em todo o país entre o primeiro e o segundo turno, 4,8 milhões foram depositados no Sudeste, abrangendo os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O presidente também venceu nas capitais paulista e fluminense. Enquanto Lula ampliou significativamente sua base na região, Flávio Bolsonaro registrou um acréscimo de 1,94 milhão de votos no Sudeste, ficando abaixo do crescimento do adversário.

Um dos momentos cruciais dessa movimentação ocorreu em Minas Gerais, considerado o segundo maior colégio eleitoral do país e um termômetro das eleições nacionais. No estado mineiro, Lula reverteu uma desvantagem de quase 589 mil votos do primeiro turno e terminou a segunda etapa com uma vantagem de 107 mil votos, acrescentando cerca de 1,16 milhão de votos contra 461 mil de seu rival. Com essa reviravolta, manteve-se a tradição histórica desde a redemocratização em 1989 em que o vencedor em Minas Gerais também vence a eleição para o Palácio do Planalto.

Enquanto o Nordeste permaneceu como o principal reduto eleitoral e piso de votos de Lula, acumulando 24,45 milhões de votos para o petista e ajudando a contrabalancear as vantagens do adversário no Sul, Centro-Oeste e Sudeste, o avanço expressivo no Sudeste e em estados do Sul permitiu a consolidação da vitória no segundo turno.

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