A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu, nesta quarta-feira (4/11), o registro para a versão em comprimido do Wegovy, fármaco indicado para o tratamento da obesidade e do sobrepeso. Desenvolvido pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, o medicamento utiliza a semaglutida como princípio ativo, a mesma substância presente nas canetas emagrecedoras, porém em formato de administração diária via oral.
A indicação do produto contempla adultos com obesidade, caracterizada por um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30. Além disso, pacientes com sobrepeso (IMC entre 27 e 30) que possuam comorbidades associadas, como hipertensão ou diabetes tipo 2, também podem ser candidatos ao uso. A medicação deve ser integrada a uma estratégia terapêutica que inclui, obrigatoriamente, reeducação alimentar e a prática regular de exercícios físicos.
Segundo a farmacêutica, o cronograma de chegada às farmácias brasileiras está previsto para os próximos trimestres. Antes da disponibilização ao consumidor, é necessário que a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) defina o teto de preço do produto. Até o momento, o valor de mercado e a data específica de lançamento não foram divulgados pela fabricante.
Especialistas ressaltam as vantagens operacionais desta versão, que não exige refrigeração, facilitando a rotina de pacientes com alto nível de deslocamento. O protocolo de uso exige a ingestão em jejum, acompanhada de pouca água, sendo necessário um intervalo de pelo menos 30 minutos antes do consumo de alimentos ou outros medicamentos. A adesão rigorosa a essas instruções é fundamental, pois falhas na administração podem comprometer a eficácia do tratamento.
O estudo clínico OASIS 4, base da aprovação, indicou uma perda média de peso de 13,6% entre os participantes que utilizaram a medicação, em comparação a 2,2% no grupo que recebeu placebo. Apesar da eficácia demonstrada, efeitos colaterais gastrointestinais, como náuseas e diarreias, foram relatados por 74% dos usuários. A endocrinologista Cynthia Valério, presidente eleita da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), enfatiza que o acompanhamento médico é indispensável para monitorar a tolerância do organismo e garantir resultados sustentáveis a longo prazo.
Origem da informação: BBC News Brasil — veja a fonte original.


