O JPMorgan vê o atual choque de fretes como uma oportunidade de compra, e não como uma mudança estrutural na base de custos da Vale (VALE3). Segundo o banco, a vantagem de custo da Vale em frete em relação aos pares expostos ao mercado spot na rota Brasil–Ásia está no maior nível em anos, enquanto combinação de minério abaixo de US$ 100 por tonelada e fretes elevados tende a se mostrar insustentável.O frete de navios Capesize disparou para máximas de vários anos.
O benchmark Tubarão-Qingdao (C3) atingiu US$ 43 por tonelada, aproximadamente o dobro dos cerca de US$ 20 registrados em janeiro. No início de setembro, estava em torno de US$ 38 por tonelada, alta de 57% em 12 meses. A disparada reflete custos mais elevados de combustível em meio à guerra, rotas marítimas mais longas e oferta restrita de embarcações.Para o JPMorgan, a Vale está particularmente protegida desse movimento graças à estratégia de fretes construída ao longo das últimas décadas.
A mineradora passou de uma estrutura baseada em frota própria para o programa Valemax e, posteriormente, para um modelo asset light, no qual vendeu seus navios e passou a contratar capacidade dedicada por meio de contratos de transporte de longo prazo.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta quartaÍndices futuros dos EUA oscilam após Nasdaq registrar novo recorde ontem Localiza, Petrobras, Romi, Embraer, Oncoclínicas e mais ações para acompanhar hojeVeja os principais destaques do noticiário corporativo desta quarta-feira (23)A administração confirmou ao banco que entre 70% e 75% dos volumes estão protegidos por contratos de longo prazo a cerca de US$ 19 por tonelada, ou aproximadamente US$ 23 por tonelada atualmente, considerando o custo de combustível.
O valor está bem abaixo dos cerca de US$ 43 por tonelada no mercado spot.Para 2027, considerando que 15% dos fretes permaneçam expostos ao mercado spot, o JPMorgan estima uma exposição residual de aproximadamente US$ 1 bilhão, equivalente a cerca de 6% do EBITDA projetado em US$ 17,2 bilhões. Na avaliação do banco, o impacto seria administrável e não suficiente para alterar a tese para a Vale.O JPMorgan também destaca que a combinação de minério de ferro abaixo de US$ 100 por tonelada e fretes elevados já começa a pressionar produtores brasileiros de maior custo.
Com a saída dessa oferta marginal, o mercado tende a se reequilibrar por meio de menor demanda por transporte, menor oferta de minério, redução dos fretes, recuperação dos preços do minério ou uma combinação desses fatores.Nesse cenário, o banco considera que a Vale está em posição favorável, já que seus contratos de frete reduzem a exposição à disparada dos preços de transporte enquanto a qualidade do minério produzido pela companhia ajuda a preservar a rentabilidade.The post Vale (VALE3): frete caro assusta, mas JPMorgan vê oportunidade de compra appeared first on InfoMoney.
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