O cenário político no Paraguai sofreu uma mudança drástica nesta quinta-feira (5), com a renúncia do presidente Santiago Peña. O mandatário, que assumiu o governo em 2023, tomou a decisão em meio a uma profunda instabilidade provocada pelo colapso do banco digital Ueno, instituição da qual Peña foi acionista. O fechamento do banco impediu que cerca de 3 milhões de clientes acessassem seus recursos, gerando um forte desgaste que culminou no isolamento político do conservador.

Em um comunicado oficial, Peña justificou sua saída como um esforço para garantir a paz social e preservar as instituições democráticas do país. O ex-presidente pediu desculpas à população pelos transtornos enfrentados e afirmou que nenhum cargo deveria estar acima do bem-estar nacional. A crise ganhou contornos graves após ser revelado que o Ueno concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo fundos previdenciários.

Antes da renúncia, o Congresso paraguaio havia iniciado uma sessão extraordinária para debater o impeachment de Peña, processo que contava com o apoio tanto da oposição quanto de membros do seu próprio partido, o Colorado. O movimento contra o presidente ganhou força decisiva após a retirada de apoio de figuras centrais, como Horacio Cartes, líder da legenda, e do presidente do Congresso, Basilio Nuñez.

Simultaneamente, a Câmara dos Deputados também analisava um pedido de impedimento contra o vice-presidente Pedro Alliana. No entanto, o processo contra Alliana foi rejeitado pelo Legislativo. Com o encerramento do mandato de Peña, Alliana assume o Poder Executivo paraguaio, embora o episódio tenha deixado o sistema financeiro do país sob vigilância.

A crise bancária segue sob investigação. A Procuradoria já emitiu mandados de prisão contra 27 pessoas ligadas à administração do Ueno, e a Justiça determinou o bloqueio de bens dos envolvidos. Enquanto o setor bancário tenta conter o temor de um efeito cascata em outras instituições, o novo governo de Alliana enfrenta o desafio de estabilizar a economia e restaurar a confiança dos correntistas afetados pela liquidação do banco.

Origem da informação: G1 — veja a fonte original.