Manifestações realizadas na noite de quinta-feira, 5 de novembro de 2026, no centro de Assunção, capital do Paraguai, terminaram com sete pessoas detidas e um policial ferido. Os atos ocorrem no contexto de protestos contra o presidente Santiago Peña, filiado ao Partido Colorado, e em apoio ao processo de impeachment que tramita contra ele no Congresso Nacional.
Os distúrbios tiveram início por volta das 23h, quando um grupo de manifestantes deixou as imediações do Congresso e seguiu em direção às ruas Palma e Nuestra Señora de la Asunción. No local, a fachada de uma agência do Ueno Bank foi alvo de vandalismo, com arremesso de pedras e quebra de vidros. O suboficial Néstor Damián Araujo Martínez, de 26 anos, foi atingido na cabeça por um objeto contundente e precisou ser encaminhado ao Hospital de Polícia.
De acordo com o relatório policial, os sete detidos compreendem seis homens adultos com idades entre 18 e 28 anos e um adolescente de 17 anos. Um dos adultos possui antecedentes criminais por furto. O comissário Humberto Franco informou que os suspeitos foram mantidos na delegacia por suposta participação em danos a bens privados. Questionado sobre os incidentes, Franco relatou que alguns manifestantes apontaram que os atos de vandalismo teriam sido cometidos por indivíduos que chegaram ao local sem intenção de participar do protesto político.
A onda de protestos foi desencadeada pela quebra do Ueno Bank, banco digital cuja crise resultou no congelamento de recursos de mais de 2,9 milhões de clientes, o equivalente a quase metade da população paraguaia, além de investimentos de instituições públicas. Santiago Peña, que assumiu o governo em 2023, foi acionista do Grupo Vázquez, controlador da instituição financeira, até março de 2025. Parlamentares da oposição alegam conflito de interesses e apontam suposta manipulação de regras pelo governo e acobertamento do Banco Central do Paraguai.
Enquanto a tensão nas ruas diminuiu durante a madrugada de sexta-feira, 6 de novembro, o cenário político avança para novos desdobramentos. O Congresso Nacional agendou para as 10h da mesma sexta-feira a segunda das cinco sessões programadas para o julgamento político de Peña, momento em que o presidente ou sua defesa deverão apresentar seus argumentos formais.
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