A disputa pelo segundo turno da eleição presidencial coloca em evidência as propostas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro para o programa Bolsa Família. Criado em 2003 e atualmente atendendo a 19,28 milhões de beneficiários, o programa consolidou-se como uma das principais políticas sociais do país no combate à fome e à pobreza.

O atual presidente e candidato à reeleição, Lula, destaca o Bolsa Família como uma de suas principais realizações e defende a manutenção, o aperfeiçoamento e a ampliação das políticas de proteção social. Em setembro, o governo anunciou um reajuste de 15,04% no benefício mínimo, elevando-o para R$ 691. Lula afirmou publicamente que pretende manter o programa enquanto houver pessoas que necessitem de transferência de renda, embora reforce que o objetivo de longo prazo é gerar empregos de qualidade para que os cidadãos não dependam permanentemente da assistência estatal.

Por sua vez, o candidato Flávio Bolsonaro também declara que manterá o programa social e assegura que os beneficiários não perderão a ajuda do Estado. No entanto, o plano de governo de Flávio foca na qualificação e na inserção dos beneficiários no mercado de trabalho formal, propondo transformar os repasses em uma ponte para a autonomia. Ele criticou o reajuste anunciado pela gestão atual classificando-o como eleitoreiro, mas confirmou que preservará o valor caso vença o pleito.

As pesquisas de intenção de voto mostram que os beneficiários do programa formam um dos grupos com maior vantagem para o atual mandatário. Enquanto o plano de Lula enfatiza a continuidade e a expansão dos repasses voltados para crianças e adolescentes, a proposta de Flávio prioriza o combate a fraudes, a correção de distorções na gestão e a criação de trilhas específicas de emprego, incluindo a garantia de retorno imediato ao benefício em caso de desemprego após o seguro-desemprego.

Origem da informação: BBC News Brasil — veja a fonte original.