Um grupo de 35 parlamentares da oposição no Paraguai protocolou formalmente nesta quarta-feira (4) um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña. A iniciativa ocorre em resposta à crise financeira envolvendo o banco digital Ueno, que foi liquidado pelo Banco Central na última terça-feira (3) após a constatação de insuficiência de recursos para honrar compromissos com seus clientes.
A oposição acusa o chefe do Executivo de conflito de interesses, manipulação de normas e desvios que teriam comprometido recursos previdenciários. As críticas dos legisladores também se estendem à atuação do Banco Central, sob a alegação de que a autoridade monetária teria omitido informações e facilitado irregularidades. A ligação histórica de Peña com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno, na qual o presidente foi acionista até março de 2025, figura como o ponto central das investigações políticas.
O cenário de crise já resultou na renúncia de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central, além da prisão de oito diretores da instituição financeira, incluindo o CEO Miguel Vázquez. O Ueno administrava aproximadamente 850 milhões de dólares em fundos públicos, incluindo montantes do Instituto de Previdência Social. Com a liquidação, milhares de correntistas encontraram agências fechadas e aplicativos inoperantes, gerando uma onda de insegurança no sistema bancário nacional.
Diante do agravamento da situação, o presidente Santiago Peña anunciou medidas para mitigar os impactos, incluindo um acordo com líderes do Congresso para utilizar o Fundo de Garantia do país no ressarcimento aos depositantes. O governo promulgou uma nova lei visando agilizar a recuperação dos valores. Em suas redes sociais, Peña defendeu que os responsáveis pelas irregularidades sejam punidos pelo Poder Judiciário, sem privilégios, e instou as forças políticas a priorizarem o interesse dos poupadores.
O sistema financeiro paraguaio enfrenta um período de tensão com o aumento repentino de transferências entre contas e relatos de falhas em plataformas de outras instituições bancárias. A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) e o próprio Banco Central reforçaram que o problema é isolado ao Ueno e não representa uma falha sistêmica. Enquanto a Superintendência de Bancos nomeia auditores para investigar o passivo, o futuro político de Peña dependerá agora do apoio da base governista na Câmara para barrar ou permitir o avanço do processo de impeachment.
Origem da informação: G1 — veja a fonte original.



