O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal, deflagrou a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação policial e fiscal cumpre mandados de busca e apreensão em sete Estados brasileiros, com o objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa voltado ao setor de combustíveis.

As investigações conduzidas pelas autoridades apontam para irregularidades na aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., amplamente conhecida como Terrana. Conforme o apurado pelo Gaeco, o grupo investigado teria recorrido à utilização de fundos de investimento, empresas de fachada e operações financeiras complexas para viabilizar o controle da distribuidora e ocultar o verdadeiro patrimônio envolvido na transação.

Entre os principais alvos dos mandados autorizados pela Segunda Vara Criminal de Catanduva estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, que atua como executivo do Banco Genial, além dos irmãos André e Bruno Tupinambá e do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, proprietário da Entre Investimentos. De acordo com as informações divulgadas, Freixo firmou anteriormente um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República no âmbito de investigações relativas ao Banco Master.

O Ministério Público aponta Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, como os apontados chefes da organização criminosa investigada, embora ambos não figurem entre os alvos específicos desta etapa da operação. As diligências estão sendo executadas simultaneamente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.

Os relatórios elaborados pelo Coaf, somados a documentos bancários, informações fornecidas pelo Banco Genial, análises de movimentações financeiras e o conteúdo de mensagens extraídas de aparelhos celulares apreendidos em fases anteriores, fundamentam as suspeitas. Segundo o órgão ministerial, mais de R$ 120 milhões transitaram por empresas e contas utilizadas como vias de passagem antes de atingirem a estrutura encarregada da compra da distribuidora Terrana.

As apurações indicam que a transação foi estruturada mediante a criação de fundos e empresas específicos para a finalidade, incluindo Radford, Derby 44, Los Angeles 01, Berna Holdings e Branson Holdings. As mensagens interceptadas reforçam a suspeita do emprego de pessoas interpostas, conhecidas popularmente como laranjas, para escamotear os verdadeiros controladores dos ativos e da distribuidora de combustíveis.

Origem da informação: Poder360 — veja a fonte original.