O Senado do Paraguai aprovou na noite de sexta-feira o impeachment do presidente Santiago Peña, em um cenário marcado por uma grave crise política e financeira decorrente do colapso do banco digital Ueno. A destituição foi aprovada de forma unânime pelos 44 senadores presentes na sessão da câmara alta do Congresso, que possui 45 cadeiras ao todo. Com a aprovação, Peña foi imediatamente afastado de suas funções.
Minutos após o afastamento, o Ministério Público paraguaio ordenou a prisão do ex-presidente e determinou também a detenção de Carlos Carvallo, ex-chefe do Banco Central. Embora inicialmente tenha sido estabelecida prisão domiciliar, Peña foi transferido sob custódia para uma instalação militar perto da meia-noite por razões de segurança, enquanto imagens de televisão mostravam protestos de manifestantes nas proximidades de sua residência.
Peña, que assumiu o poder em 2023 com mandato previsto até 2028, havia tentado renunciar na quinta-feira após o colapso do banco Ueno, instituição com a qual manteve ligações comerciais anteriores. Contudo, a renúncia não foi formalmente aceita pelo Senado, já que a legislação paraguaia exige a aprovação do Congresso. A manobra dos parlamentares em prosseguir com o impeachment teve como objetivo impedir que Peña assumisse o cargo de senador vitalício, garantia que concederia imunidade parlamentar aos ex-presidentes.
Com a formalização da destituição, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu o cargo máximo do Executivo paraguaio. Enquanto manifestantes celebravam o impeachment do ex-presidente do lado de fora do Congresso, também protestaram contra a posse de Alliana, direcionando acusações de envolvimento no mesmo escândalo ao novo mandatário. O processo de impeachment baseou-se em acusações de conflito de interesses, manipulação da fiscalização regulatória, desvio de recursos de fundos de pensão e acobertamento institucional, todas negadas por Peña.
A turbulência institucional teve início quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno, um banco digital de rápido crescimento que concentrava contas de metade da população, incluindo cidadãos sem acesso prévio a serviços bancários. O escândalo mobilizou correntistas afetados, incluindo aposentados e pensionistas, que protestaram exigindo a liberação de suas economias e o ressarcimento dos valores bloqueados pelo colapso da instituição financeira.
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